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Em 8 de março de 2018, superamos todas as expectativas, mas não apenas superamos as ruas, mas também o feminismo institucional, hegemônico há décadas. O 8 de março do ano passado abriu a possibilidade de disputa para esse feminismo institucional que nunca questionou as políticas neoliberais que tornaram nossas vidas precárias.

Se o 8M conseguiu abrir essa possibilidade, foi porque o movimento feminista vai além da construção de uma data. Há anos nos mobilizamos contra a violência machista, denunciando a inadequação das leis aprovadas, apontando os limites de um sistema de justiça e de um Estado patriarcal, tornando visível que os assassinatos são a ponta do iceberg da violência estrutural. Tudo isto no contexto de uma crise econômica, política, social, assistencial e ecológica sem precedentes, que colocou as mulheres no centro das metas e resistências mundiais.

Isso nos faz falar de uma feminização do protesto que, no caso do Estado espanhol, temos visto a luta contra os despejos, nas marés de defesa do público, em muitas das últimas lutas sindicais lideradas por setores precários e feminizados… à qual somamos a existência de um movimento feminista, vivo, todos os dias, em todos os cantos do país, que não se contenta em quebrar o teto de vidro, mas que se preocupa com quem recolhe as peças (outras mulheres, mais pobres e migrantes) e que levanta a desobediência e a autodefesa como ferramentas políticas. O 8M nos uniu mais e nos deu a oportunidade de sermos mais coordenadas.

O movimento feminista está criando suas próprias ferramentas e se apropriando de outras, como a greve: não só paramos a produção, mas também a reprodução. Paramos todo o sistema e não apenas uma parte, colocando a vida, o cuidado no centro, diante da lógica da acumulação de capital. Também nos mostra algumas chaves para a construção de um sujeito político plural, podendo incluir, a partir do reconhecimento mútuo, as diferentes demandas e realidades que as mulheres vivem pelas múltiplas opressões que nos atravessam.

Isso é fundamental diante da ascensão da extrema-direita, cuja bandeira é o anti-feminismo, a LGBTfobia e o racismo, e que dá espaço ao feminismo institucional que usa o medo para conter o potencial do movimento e suas demandas, colocando-nos na defensiva. O 8M é o primeiro grande marco após a entrada da extrema direita na instituição em dezembro de 2018, é o momento de demonstrar força, tecer alianças e deixar claro que estaremos diante delas.

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