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Em todo o mundo estamos testemunhando um renascimento dos movimentos feministas. Na Suíça também persistem o machismo, a desigualdade e a violência contra as mulheres, apesar de um discurso politicamente correto sobre igualdade, e ser um fato desta igualdade estar consagrada na Constituição Federal desde 1981.

Inspiradas pela experiência da greve das mulheres que abalou o estado espanhol em 8 de março de 2018, secretárias sindicais feministas e ativistas anticapitalistas decidiram no mesmo ano construir uma greve feminista também na Suíça. Seis meses depois, em 1º de junho de 2018, foram convocados encontros de feministas, reunindo centenas de mulheres.

Elas votaram pela greve conclamando todas as mulheres da Suíça a organizar uma greve dia 14 de junho de 2019. A data de 14 de junho foi escolhida com referência à primeira greve das mulheres na Suíça, realizada em 14 de junho de 1991. Nesse dia, as mulheres cruzaram os braços: a greve ocorreu não apenas nos lugares de trabalho, mas também nas casas, onde pararam de limpar, penduraram as vassouras nas janelas, não cozinharam nem cuidaram das crianças.

Para construir o movimento de greve, diferentes grupos ativistas organizaram-se em todas as regiões da Suíça. As mulheres então definiram coletivamente uma série de reivindicações contra a violência machista, a desigualdade salarial, a representação estereotipada das mulheres, a divisão desigual das tarefas domésticas e de cuidado, chegando a elaboração de um manifesto da greve intitulado “19 razões para fazer greve”. Embora os primeiros passos [do movimento] tenham sido dados pelos coletivos sindicais e ativistas anticapitalistas, muito rapidamente sua composição social se diversificou atraindo um grande número de estudantes e assalariadas, despertando as antigas redes feministas que haviam organizado a greve de 1991.

Hoje, a greve das mulheres na Suíça está sendo divulgada de maneira cada vez mais positiva pela mídia. Nesta fase, estamos trabalhando para mobilizar mais amplamente para o 14 de junho, mas também para construir bases sólidas para o futuro: garantir sustentação ao movimento, porque a greve não é um fim em si, mas um ponto de partida para abrir um espaço legítimo de luta pelos direitos das mulheres.

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