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Nesta semana nos preparamos para a Assembleia Mundial pela Amazônia, que ocorrerá virtualmente nos próximos dias 18 e 19 de julho e reunirá centenas de companheiros e companheiras de inúmeras organizações dos nove países nos quais este bioma se expande, além de apoiadores e apoiadoras de todos os continentes na luta pela vida e pela floresta. Contando com organizações indígenas como a COICA, movimentos socioambientais, ONGs, acadêmicos e acadêmicas, além de centenas de apoios, a Assembleia por inaugurar um novo momento nas mobilizações internacionais em defesa do meio ambiente.


Esta jornada ocorre em meio à pandemia do novo coronavírus, que atinge profundamente as comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas e dos demais povos da floresta. Hoje, os países da região, especialmente o Brasil, são um dos epicentros de propagação da COVID 19 e contam com dezenas de milhares de mortos nos últimos meses. Da tragédia vivida pelo Equador no início da pandemia à dramática situação sanitária brasileira atual, os meses de quarentena aprofundaram um cenário de crise econômica e social que se aprofunda cada vez mais.

Esta jornada também ocorre após o levante popular norte-americano. Este levante colocou a pauta antirracista na ordem do dia e levou ao questionamento da violência colonial de séculos vivida nas Américas, das práticas do genocídio e da escravidão que tentou submeter os povos originários e da diáspora africana. O assassinato de George Floyd foi a gota d´agua que transbordou toda esta indignação e hoje leva ao questionamento não somente das estátuas dos colonizadores, mas de todos os resquícios das práticas coloniais presentes em nossas sociedades.

Nossa situação é dura. Os dois maiores países maiores países do continente são governados por uma extrema-direita autoritária e negacionista, que busca avançar na repressão e vê a natureza como mercadoria. Trump e Bolsonaro, os grandes representantes internacionais do atraso, da xenofobia e da misoginia, foram desde o princípio da pandemia os defensores dos interesses do grande capital, negando a necessidade do isolamento social e advogando pela retomada de atividades. Ainda que tenham diferenças notáveis entre si (nas quais Bolsonaro se mostra ainda mais atrasado), os dois são a expressão do que há de mais perigoso no âmbito político internacional.

E este perigo impacta de forma mais dura as populações indígenas e as comunidades pobres racializadas, que sofrem com o conjunto dos ataques das grandes empresas extrativistas e de seus governos asseclas. O desmatamento, as queimadas, a poluição gerada pelo extrativismo, a violência política e tantos outros ataques são expressões diretas da ação desta extrema-direita contra a classe trabalhadora de seus países. Sabemos que estas questões estruturais não foram criadas pelos oportunistas e mercenários hoje no poder no Brasil e nos EUA, mas a postura de ambos os presidentes tem uma enorme e inédita característica ecocida.

Frente a estes desafios, nossa resposta é a organização e a luta. É o momento de unificar os mais diversos setores que surgem indignados contra esta política de morte de Trump e Bolsonaro e propor uma saída que derrote estas grandes ameaças. E para isso é imprescindível articular o protagonismo dos mais atingidos com redes internacionais amplas de apoio às suas lutas. É imprescindível articular a resistência indígena com a juventude que luta contra as mudanças climáticas, é imprescindível articular a luta antirracista e anticolonial internacional com cada expressão territorial de resistência local.

A Assembleia Mundial pela Amazônia é um passo muito importante nesta direção. E todos e todas vamos dar esse passo juntos.

Visite aqui a página da Assembleia Mundial pela Amazônia.

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