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A crise total que o sistema capitalista mundial vinha incubando nos últimos anos A crise total atual que o sistema capitalista mundial vinha incubando nos últimos anos tomou desde o início de 2020 um impulso jamais imaginado com a aparição na China do Covid-19 e sua propagação para o resto do mundo, convertendo-se no problema central da humanidade.

A situação de crise aqui no Panamá, é um reflexo direto da gestão que o governo de Nito Cortizo tem dado aos efeitos dessa pandemia. A grave deficiência dos serviço público que há anos vinham denunciando as organizações populares ficaram a descoberto, uma educação pública tornada um desastre, serviços de saúde colapsados, milhares de famílias numa situação de extrema pobreza, enfim, uma sociedade constituída e organizada para que a maior parte dos recursos e riquezas do país chegue a algumas poucas mãos.

O desempenho do atual governo do presidente Nito Cortizo, que durante sua campanha eleitoral dizia que ia mudar a vida dos panamenhos, ficou controlado pela ação de políticos corruptos, rodeados de empresários corruptos, responsáveis por impedir que os recursos do Estado cheguem à população que mais os necessita. O que ocorre não é casual, o fracasso e colapso das políticas neoliberais era um evento esperado, inclusive de antes que aparacesse a Covid-19, a experiência chilena do ano passado foi uma mostra disso.

O sistema capitalista começa a evidenciar claros indícios de cansaço e esgotamento. Sem dúvida, estamos vivendo uma época de mudanças, mas a única saída ou proposta que o sistema tem na mão é jogar sobre as costas da classe trabalhadora e dos pobres do campo e da cidade todo o peso da crise. A pandemia deixou algo muito claro e é que os serviços de saúde e educação, assim como a distribuição de água potável e outros serviços básicos necessários como a luz elétrica não podem ficar nem continuar em mãos privadas.

Frente a este estado de coisas, corrupção generalizada, tanto no governo como nas empresas privadas, a falta de transparência, o que se evidencia por exemplo na compra de medicamentos e equipamentos para a Caixa de Seguridade Social, com preços exagerados junto às distribuidoras, contratos com sobrepeços, o custo milionário do hospital modular e outras tantas manobras, demonstram um comportamento contínuo e parecido de todos os governos, pós-invasão. A solicitação velada feita pública, que logo a ministra do trabalho teve que sair a desmentir, quando se correu a voz de que alguém havia solicitado o NÃO PAGAMENTO, da segunda parte do Décimo Terceiro, ou a trabalhar 8 horas e pagar menos, para ajudar a recuperação econômica do país, são apenas algumas das ideias que passam pela mente de uma patronal voraz e desumanizada, que somente pensa em seus bolsos. Os mais de 5 bilhões de dólares que pediu em empréstimos o governo junto à banca internacional, a fim de entregá-los à banca nacional, representa sem dúvida alguma o maior exemplo de qual é a orientação da política econômica do atual governo, ou seja salvar os banqueiros do Panamá e suas empresas às custas do bem-estar da população, dos trabalhadores e dos pobres do nosso país.

O QUE PODEMOS FAZER

Mais que uma consigna ou um chamado à unidade se trata de uma necessidade imperiosa, hoje mais do que nunca em toda a nossa vida republicana, a unidade das organizações operárias CONATO, CONUSI, FUCLAT, grêmios médicos e educadores e demais organizações populares. Juntos temos que lutar contra os planos sinistros que os organismos financeiros internacionais, como o FMI, Banco Mundial e o BID, os quais, conjuntamente com o governo e os patrões através da Câmara de Comércio, CONEP, APEDE, pretendem lhes impor à classe trabalhadora, encobrindo seus planos sobre exploradores com a suposta Guerra ao Covid-19, que não é mais do que o saqueio dos recursos estatais e o empobrecimento das classes populares, essa é a maneria como pretendem retirar a economia deste marasmo profundo em que se encontra. Não podemos nos iludir ou nos fazem retroceder a condições de extrema miséria ou barbárie capitalista que é o pior deste capitalismo selvagem super-explorador ou juntos derrotamos suas políticas nas ruas e avançamos em direção a uma sociedade mais justa e equitativa.

O governo se equivoca com a gestão econômica da pandemia, simplesmente resulta absurdo pretender lançar uma quarentena que seja efetiva, com a população amontoada nos bairros mais pobres e sem comida, e ainda assim dizer a todo mundo “fique em casa”, quando uma boa parte dos trabalhadores tem que sair para garantir o funcionamento da sociedade, sem o serviço de água em sua casa para lavar suas mãos, ou sem tapa-bocas.

O FRACASSO

O fracasso retumbante da pandemia por parte do governo, não se deve à conduta da maioria da população, que inicialmente foi felicitada por seu comportamento, se deve à gestão mesquinha do governo e dos empresários com a população, pois preferiram aumentar exponencialmente o número de contágios e mortes com a famosa abertura do bloco dois e logo queriam abrir o três, passando por cima dos milhares de contagiados e dos cadáveres de centenas de falecidas pela pandemia desbordada. Estas medidas deixam desnudadas de corpo inteiro as verdadeiras intenções do governo e dos líderes empresariais os quais, o estimulam pública ou privadamente para que se reabra a economia nestas condições desastrosas de enfermidade e morte para a maioria dos trabalhadores e dos adultos mais velhos do povo panamenho.

Aqui não há planejamento para salvar as vidas dos panamenhos, para o governo NITO que diz com insistência que fará “O que for necessário”, devemos interpretar que fará o necessário para salvar a economia de banqueiros e grandes empresários, pois para eles é a maior parte dos 5 bilhões de dólares que conseguiu, aumentando a dívida externa do povo panamenho.

Entre as tarefas gerais mais imediatas que propomos realizar, estão: organizar as massas para, defender os empregos, defender o salário e exigir o bônus universal solidário de 500 dólares, para todos os que não tenham fontes de renda garantidas e assim poder acatar a quarentena.

Acrescentar a participação das organizações sindicais, para organizar um Plano Nacional de Luta contra os planos de recuperação que seguramente vão querer nos impor. Os acordos alcançados na Mesa Tripartite, ainda assim apesar do esforço realizado pela direção sindical de fato representa o que já vinha se dando, porquanto consideramos sem dúvida alguma, refletem a imposição dos planos do governo e da patronal. É necessário, denunciar os planos imperialistas, que se promovem através de suas agências de crédito. Insistir na fixação da renda básica de 500 dólares. Haverá que ter cuidado com o papel que pode jogar as Nações Unidas nesta crise mundia. Se conseguimos, com as lutas unitárias, parar os planos de recuperação econômica do governo e dos patrões, de certa forma, então teremos mais força para avançar até a consolidação de uma proposta de Assembleia Constituinte.

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