|
vizcarra

20/07/2020 | Tradução: Charles Rosa

Isso não era o esperado. O presidente Vizcarra foi duramente questionado a viva voz pelo pessoal da saúde e familiares de pacientes com Covid-19, os quais o surpreenderam durante sua visita ao Hospital Honorio Delgado na cidade de Arequipa. Não é para menos. A situação na região se tornou extremamente crítica nas últimas semanas, concentrando 40% dos novos casos apresentados a nível nacional. A visita tinha por objetivo apresentar novas leitos de UTI, mas estes não estavam prontos e afloraram as reclamações pelas carências crônicas e a desatenção governamental em relação às demandas elementares que não atendidas 4 meses depois de declarada a emergência.

Mesmo quando Vizcarra, esgotado pelo fracasso de sua estratégia, passou a caneta para se novo Premier, ele seguirá sendo o alvo das críticas em ascensão. Também as autoridades locais que não escapam à regra por sua inépcia como é o caso de Llica, o governador de Arequipa. A esta altura o transbordamento sanitário é desolador ainda que prefiram maquiar as estatísticas. Oficialmente até o momento, já foram contabilizadas mais de 13 falecidos, mas pode ser um número bastante maior se comparado o número de mortos no mesmo período em anos precedentes.

O “salve-se quem puder” como política de Estado cobrará sua fatura do governo cujo norte segue sendo a economia, e não a vida da população. Ainda mais agora que o premier Pedro Cateriano optou por colocar o pé no acelerador a pedido da CONFIEP, o grêmio empresarial, que não se cabe de contente. É assim que Roque Benavides, ex-presidente da CONFIEP e dono das minas de ouro em Cajamarca, sai agora com energia e chama a destravar o mais prontamente possível todos os projetos mineiros, incluindo Conga e Tía María, mesmo com o Presidente tendo se comprometido a não dar a luz verde, posto que não contam com a licença social. Isso equivale praticamente a uma declaração de guerra contra os povos ameaçados pelo extrativismo predatório.

“Somos um país mineiro” cacareja o outrora salva-vidas de Humala, como se essa condição nos estivesse sendo reservada para sempre, enquanto outros países se industrializam com nossas matérias primas. Foi imposta a lógica neoliberal a todo custo na recomposição do Gabinete. O novo Premier designado pelo Presidente e seus operadores ministeriais devem ser firmemente rechaçados. Temos uma oportunidade para unir os protestos e demandas em torno da jornada de luta convocada pela CGTP para 23 de julho. Não outra saída que organizar a resposta popular ao que está por vir.

Quiçá as eleições não sejam tão em paz como supõe o governo. A crise sanitária e econômica leva a uma profunda crise social como antessala de novas crises políticas. É necessário prepara a troca a partir da esquerda.

Tito Prado é dirigente do Novo Peru.

Veja também