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O acontecimento desta semana foi a realização das eleições britânica. Theresa May sai das urnas diminuída politicamente ao frustrar seu objetivo inicial de ampliar sua maioria parlamentar para ter força nas negociações do Brexit. Por outro, a esquerda mundial tem motivos de sobra para se entusiasmar com o desempenho do Partido Trabalhista. Liderados por Jeremy Corbyn da ala esquerda do partido, os trabalhistas cresceram de maneira avassaladora desde 2015 e se firmam num momento de instabilidade política intermitente no Reino Unido.

Outros fatos relevantes envolvem Trump e seus percalços internos e externos. A investigação sobre a possível interferência russa nas eleições prossegue e o ex-diretor do FBI, James Comey, sustenta sua denúncia de obstrução da justiça por parte do presidente. Na geopolítica, a retirada dos EUA do Acordo Climático de Paris abre espaço para que outras potências globais busque ocupar o vácuo de liderança deixado pelo isolacionismo de Trump.

No Oriente Médio, a crise entre os países do Golfo Pérsico e o atentado em Teerã acrescentou tensão nas rivalidades regionais entre Arábia Saudita e Irã, não sem a participação da Casa Branca.

A repercussão destas notícias na imprensa internacional e os diferentes debates efetuados nos meios vinculados à esquerda podem ser lidos nesta edição do Clipping Internacional da Fundação Lauro Campos.

Charles Rosa – Observatório Internacional

 

ELEIÇÕES NO REINO UNIDO

Em disputa acirrada, planos de May se frustram e a maioria torie não é alcançada; trabalhistas renascem com Corbyn

Numa das eleições mais surpreendentes da história recente britânica, os conservadores ficaram à frente mas muito longe de seu objetivo inicial: ampliar sua maioria parlamentar para ter mais autoridade nas negociações do Brexit. Ao contrário, a formação liderada por Theresa May sai das urnas com 13 assentos a menos em relação às eleições de 2015 (330-317), perdendo a condição de governar majoritariamente sozinha, embora tenha aumentado sua votação nacional em 6% (de 36% para 42%).

O motivo está no brilhante desempenho do Labour Party, que retirou uma diferença percentual de 20% nas pesquisas em menos de 60 dias. Jeremy Corbyn superou as expectativas, tanto da imprensa tradicional quanto da direita blairista no interior do seu partido, e atingiu uma votação arrasadora entre os jovens trabalhadores dos grandes centros urbanos. Em menos de 2 anos, sua plataforma à esquerda (taxação maior para os ricos, fim das privatizações, defesa do sistema de saúde pública, gratuidade no ensino superior) fizeram os trabalhistas ganharem nada menos do que 3 milhões de votos (de 10 para 13 milhões de votantes, de 30% para 40% de votação nacional), o que significa 32 assentos a mais (de 230 para 262) no Palácio de Westminster.

Outro destaque destas eleições foi o encolhimento do Partido Nacional Escocês (SNP), terceira maior bancada diminuída em 19 assentos, em benefício dos conservadores e trabalhistas locais. Tal resultado tende a arrefecer o ímpeto independentista escocês. Por fim, confirmou-se o completo fracasso da direita ultranacionalista (UKIP) que sequer conseguiu uma vaga no Parlamento.

As hipóteses de formação de governo estão em aberto. Os tories provavelmente terão que compor um governo com forças anti-Brexit, o que poderá acarretar num impasse permanente e quiçá em novas eleições em breve. May sai bastante enfraquecida do pleito e outras lideranças tories emergiram, cenário que facilita a renúncia da primeira-ministra, conforme pediu Corbyn em seu primeiro pronunciamento pós-eleitoral. Se May abandona seu posto, a chance de formar um governo de ampla coalizão (Trabalhistas, SNP, Liberal-Democratas, Sinn Féin, Verdes) cai nas mãos de Corbyn, sem dúvida o maior vencedor das urnas.

The Guardian (09/06) – “Corbyn causou uma sensação – ele seria um bom primeiro-ministro” – por Owen Jones

“Não deixemos que alguns se saiam com “ah, essa eleição apenas mostra que um líder trabalhista melhor teria vencido!”. Tolice risível. Nós realmente pensamos que os concorrentes anteriores a Corbyn para a liderança – e isso não é nada pessoal – teria inspirado milhões de pessoas, de outra forma politicamente desengajadas para sair de casas e votar, levanto o Labour Party a sua maior porcentagem desde o famoso arraso de Blair? Se o mesmo centrismo velho, rançoso e tecnocrático tivesse se oferecido, o Labour teria enfrentado uma surra absoluta, tal como aconteceu com seus partidos-irmãos na Europa.”

LINK (em inglês): https://www.theguardian.com/ commentisfree/2017/jun/09/ jeremy-corbyn-prime-minister- labour

NY TIMES (09/06) – “Conservadores perdem a maioria”

“Claramente, os britânicos confundiram as expectativas e os mercados de apostas mais uma vez. A incerteza poderia complicar a saída da Grã-Bretanha da União Européia, conhecida como Brexit. As negociações sobre a retirada estão programadas para começar em apenas 11 dias. Os líderes europeus querem um governo britânico estável e crível capaz de negociar, mas a súplica da Sra. May aos eleitores por um forte mandato para o Brexit fracassou.”

LINK (em inglês): https://www.nytimes.com/2017/ 06/08/world/europe/theresa- may-britain-election- conservatives-parliament.html

El País (09/06) – “A derrota de Theresa May” – Editorial

“A insuficiente vitóra dos conservadores não resolve questões importantes e deixa pontos de interrogação abertos tanto para a estabilidade política do Reino Unido como para o trânsito adequado da negociação do Brexit. O desconcerto da libtra nos mercados internacionais no momento em que, iniciada a madrugada, a tendência da apuração confirmou que a vitória conservadora era insuficiente e não poderá governar em solitário, é só um primeiro aviso da grande desconfiança existente em torno da capacidade de May em pilotar a nave durante os próximos cinco anos. E o fato que algumas vozes dentro de seu partido nem sequer esperaram a consumação dos resultados para a Câmara dos Comuns para pedir sua demissão antecipa um período de instabilidade”.

LINK (em espanhol) – http://elpais.com/elpais/2017/ 06/09/opinion/1496990953_ 710514.html

RUPTURA DOS EUA COM O ACORDO DE PARIS SOBRE O CLIMA

Decisão de Trump enfraquece liderança global dos EUA e abre vácuo a ser ocupado

O rompimento dos EUA com o Acordo de Trump despertou fortes críticas em todo o planeta, desde a comunidade científica até os chefes de Estado das principais potências do mundo. Grandes cidades norte-americanas, como New York, Washington e Los Angeles, decidiram permanecer no Acordo, a despeito de Trump.

Le Monde (02/06) – “Sobre as mudanças climáticas, uma América abstencionista” – Editorial

“Em uma iniciativa sem precedentes, o presidente Macron fez uma declaração pública – em francês e depois em inglês – para dizer que não há “plano B”, que não renegocia o acordo e que os 194 países devem respeitar os termos minuciosamente alcançados no contrato assinado. Poucos momentos depois, alemães e italianos se juntaram aos franceses em uma declaração conjunta confirmando essa posição, ressaltando uma resposta européia à decisão da América e anunciando uma mudança de guarda na liderança mundial”

LINK (em inglês): http://www.lemonde.fr/climat/ article/2017/06/02/le-monde- editorial-on-climate-change- an-abdicationist-america_ 5138084_1652612.html

INVESTIGAÇÕES CONTRA TRUMP

Ex-diretor do FBI vai ao Senado e confirma tentativa de constrangimento de Trump

Numa audiência convocada pelo Senado nesta quinta-feira (08/06), o ex-diretor do FBI James Comey detalhou a conversa na qual Trump lhe pediu que parasse de investigar as relações de sua campanha eleitoral com o serviço secreto russo. O depoimento alimenta a crise do presidente estadunidense, alvo de investigação por tentativa de obstrução da Justiça.

NY TIMES (09/06) “James Comey move o pêndulo” – Roger Cohen

“Qual era a motivação de Trump? É difícil ver alguém inocente ali. Suas ações parecem como uma tentativa corrupta de obstrução da justição – tal como é uma investição independente do FBI. Dado o controle republicano no Congresso, é muito improvável que haverá qualquer movimento para o impeachment até que o investigador-especial Robert Mueller complete seu inquérito. Mas se Mueller sugere que o presidente poderia ser indiciado, os procedimentos para o impeachment serão difíceis de ser barrados – e então, como afirmou Burbank, “o que nós coloquialmente chamamos de “obstrução da justiça” deverá ser encarado cmo um alto crime ou um delito, mesmo que não viole alguma lei criminal federal”. Comey moveu o pêndulo. Trump está vulnerável”.

LINK (em inglês): https://www.nytimes.com/2017/ 06/09/opinion/james-comey- senate-testimony-donald-trump. html?ref=opinion

ISOLAMENTO DO CATAR

BBC BRASIL (05/06)- “Os argumentos dos 6 países árabes para romper com o Catar, acusado de apoiar extremistas”

“De maneira mais ampla, há dois fatores-chave que influenciam a decisão desta segunda-feira: a relação do Catar com grupos islâmicos e o papel do Irã, o adversário regional da Arábia Saudita. Ao mesmo tempo em que o Catar participa da coalizão de países – liderada pelos EUA – contra o EI, o país é acusado por líderes xiitas no Iraque de que dar apoio financeiro ao grupo extremista – o que é negado pelo governo catariano. Acredita-se que indivíduos ricos do emirado fizeram doações e que o próprio governo tenha apoiado – financeiramente e com armas – grupos islâmicos radicais na Síria.
O Catar também é acusado de manter relações com o grupo sírio conhecido como Frente Al-Nusra, próximo à Al-Qaeda. O governo saudita também acusou o Catar de apoiar a Irmandade Muçulmana, que atua em vários países, principalmente no Egito.”

LINK (em português): http://www.bbc.com/portuguese/ internacional-40159150

FOLHA DE SÃO PAULO (05/06) – “Arábia Saudita quer isolar Catar devido a tensões com o Irã”

“Já houve desacordos entre os seis membros do GCC no passado, e as tensões com o Qatar remontam à metade dos anos 90, quando a rede de TV Al Jazeera foi criada em Doha, e passou a fornecer uma plataforma para que dissidentes árabes criticassem os governos autocráticos da região, exceto o do Qatar.
O país do golfo Pérsico também desempenhou papel chave no apoio aos movimentos contra governos estabelecidos, na Primavera Árabe, contrariando os interesses da Arábia Saudita e dos EAU ao bancar o governo da Irmandade Muçulmana no Egito. O Qatar também concedeu asilo a membros da liderança exilada do Hamas, e mantém um relacionamento com o Irã. Em 2014, Arábia Saudita, EAU e Bahrein retiraram temporariamente seus embaixadores do Qatar. A disputa tinha por motivo o Egito, depois do golpe liderado pelo exército que derrubou o presidente Mohamed Mursi, líder da Irmandade Muçulmana. Desta vez, a Arábia Saudita citou o apoio do Qatar a “grupos terroristas que buscam desestabilizar a região”, entre os quais a Irmandade Muçulmana, o Estado Islâmico e a Al Qaeda. Os sauditas acusaram o Qatar de apoiar “grupos terroristas ligados ao Irã” que operam na província leste do reino e também no Bahrein.”

LINK (em português) http://www1.folha.uol.com.br/ mundo/2017/06/1890311-arabia- saudita-quer-isolar-o-qatar- devido-a-tensoes-com-o-ira. shtml

ATENTADO NO IRÃ

Atentado duplo deixa 12 mortos no centro de Teerã

O primeiro atentado em solo iraniano desde a revolução de 1979 foi reivindicado pelo Estado Islâmico. A ação terrorista atingiu a Assembleia Islâmica do Irã e o mausoléu do Aiatolá Khomeini, vitimando fatalmente 12 pessoas. O presidente estadunidense Donald Trump declarou que “quem financia o terrorismo está sujeito a ataques”, no que foi prontamente rebatido pelas autoridades iranianas.

El País (07/06) – “Objetivo: Irã” – Editorial

“A ação terrorista chega em um momento de tensão inédita, quando vários países árabes, instigados pela Arábia Saudita e com o apoio explícito de Trump, aprovaram medidas extremas contra o Catar. Não se trata de uma simples crise diplomática: além das graves acusações, está se produzindo uma expulsão de cidadãos catarenses desses países. E tudo isso, dias depois de que Trump realizasse sua primeira visita à região, o que se mostrou ter profundos efeitos desestabilizadores”.

LINK (em espanhol): http://elpais.com/elpais/2017/ 06/07/opinion/1496856205_ 498460.html

EXPULSÃO DA ODEBRECHT DO EQUADOR

Parlamento aprova expulsão de construtora brasileira do país

G1 (07/06) – “Equador aprova pedido de expulsão da Odebrecht do país”

“EUA dizem que construtora brasileira pagou US$ 788 milhões em propinas em 12 países, entre eles o Equador. O relatório mostrou que no país, entre os anos de 2007 e 2016, a Odebrecht pagou propinas no valor de mais de US$ 35,5 milhões.
Assembleia Nacional (Parlamento) do Equador aprovou nesta terça-feira (6) um conjunto de ações imediatas para prevenir e combater a corrupção, entre as que se incluem a chamada “morte civil”, um julgamento politico ao controlador, Carlos Pólit, e o pedido de expulsão da construtora Odebrecht.
Com 106 votos a favor, de um total de 128 legisladores presentes na sessão plenária, a Assembleia aprovou uma moção apresentada pelo grupo governista Aliança País para executar ações imediatas contra a corrupção, em meio a um intenso debate com a oposição sobre as consequências do caso de subornos no país por parte da Odebrecht.”

LINK (em português): http://g1.globo.com/mundo/ noticia/equador-aprova-pedido- de-expulsao-da-odebrecht-do- pais.ghtml

VENEZUELA

El País (02/06) – “Maduro desafia críticas do chavismo e segue em frente com Constituinte”

“O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está disposto a avançar de qualquer forma com seu projeto de redigir uma nova Constituição, apesar da resistência que a convocação desencadeou entre ex-ministros e funcionários públicos que se alinham ao processo bolivariano. A última oferta, anunciada na noite de quinta-feira em um Conselho de Ministros televisionado, é a de submeter a votação a proposta da Carta Magna que for apresentada pela Assembleia Nacional Constituinte. “Que seja o povo quem diga se está ou não de acordo. E serão os mesmos de sempre que pedirão para votar não. Nós os derrotaremos”, garantiu. O chefe de Estado venezuelano parece estar tentando reunificar seus antigos aliados em um momento muito crítico para o regime chavista, pressionado pelos protestos diários da oposição, pelo intenso cerco diplomático da comunidade internacional para que governe sem desconsiderar o Estado de direito e pela impossibilidade de conseguir financiamento externo para seu agonizante modelo econômico.”

LINK (em português): http://brasil.elpais.com/ brasil/2017/06/02/ internacional/1496375361_ 668573.html

The Guardian (08/06) – “Procuradora-geral pede que venezuelanos rejeitem a constituição de Maduro”

A procuradora-chefe da Venezuela chamou a população do país a rejeitar o empenho do presidente Nicolás Maduro para reescrever a constituição da nação e instou a Suprema Corte a anular o processo imediatamente, aprofundando sua divisão com o governo. Agarrando uma cópia do livro de constituição azul em suas mãos nos degraus da Suprema Corte, Luisa Ortega Díaz disse que estava agindo para defender tanto a constituição da nação emboscada quanto sua própria democracia. “O que está acontecendo aqui é o país”, disse ela. “A integridade dos venezuelanos”.
Os comentários de Ortega Díaz foram o seu maior repúdio ainda pelo esforço de Maduro para convocar uma assembléia nacional que reescreva a constituição da nação, um ato que ela disse que anularia as conquistas do falecido presidente Hugo Chávez, que supervisionou a adoção da constituição atual. “Eu acho que com esta [assembléia] estamos destruindo o legado do presidente Chávez”, disse Ortega. Uma governista de longa data, Ortega Díaz primeiro rompeu publicamente com a administração Maduro no final de março, quando ela criticou um congresso de nulidade do tribunal supremo.”

LINK (em inglês) – https://www.theguardian.com/ world/2017/jun/08/venezuela- chief-prosecutor-reject- maduro-constitution

ARGENTINA

El País (08/06) – “Merkel afaga Argentina em giro na América Latina que exclui Brasil”

“Merkel, a principal dirigente da União Europeia, deixou claro suas diferenças com Trump e a decisão do norte-americano de se isolar e sair, por exemplo, do acordo de Paris sobre as mudanças climáticas. A chanceler, anfitriã do próximo G-20 em Hamburgo, em julho, apoiada por aliados europeus como o francês Emmanuel Macron, disputa a liderança global com o presidente dos EUA. Isso explica esta viagem à Argentina e ao México para preparar uma reunião que será tensa pelos confrontos com Trump. Merkel quer somar os países à sua tentativa de isolar Trump. O Brasil não está de todo fora da equação. “Caso Temer sobreviva a essa semana ao julgamento do Tribunal Superior Eleitoral, ele deve encontrar Merkel na reunião do G20″, aposta o professor Stuenkel. Macri por enquanto parece jogar de vários lados e evita entrar em confrontos abertos com Trump, porque precisa dos EUA como sócio já que boa parte dos investimentos estrangeiros que espera para recuperar a maltratada economia argentina virá daquele país. Mas sua linha política é muito mais próxima à de Merkel, que também promete investimentos de grandes empresas como a multinacional Siemens. E foi o que mostrou durante a conferência de imprensa conjunta. “O desafio é a revolução tecnológica, não a globalização. É mais fácil resolver através da integração”, insistiu.”

LINK (em português): http://brasil.elpais.com/ brasil/2017/06/08/ internacional/1496920021_ 735838.html

ARTIGOS E DEBATES NA ESQUERDA INTERNACIONAL

Jacobin Magazine (08/06) – “Por que Corbyn venceu”, por Baskhar Sunkara

“Mesmo com uma maioria Conservadora diminuída, as coisas não serão encorajadoras amanhã. Momentaneamente humilhados, os Tories ainda governam. Seus aliados de negócios e as elites midiáticas se reagruparão. Eles apresentarão novos planos para atacar a classe trabalhadora e o bem público. Mas o partido de Corbyn está melhor posicionado que qualquer regime trabalhista recente para ser uma oposição crível enraizada numa visão de esquerda não-apologética – para oferecer esperanças e sonhos para as pessoas, não apenas medo e expectativas rebaixadas. Assim, também Bernie teria vencido”.

LINK (em inglês): https://www.jacobinmag.com/ 2017/06/jeremy-corbyn- election-results-labour- theresa-may-left

Aporrea (08/06) – “Minha posição sobre a Venezuela”, por Boaventura Sousa Santos

“Os intelectuais têm um pecado original: traem as causas com muita facilidade. Há duas maneiras de trair: criticar demasiado cedo quando os processos transformadores estão em sua primeira fase ascendente; não criticar quando os sinais são evidentes que os processos transformadores não vão bem. As coisas não vão bem na Venezuela devido a uma intervenção grosseira do imperialismo norte-americano e a muitos erros cometidos pelos líderes políticos em tempos recentes. Ao assinar o documento pedindo o fim da violência nas ruas , busco manifestar meu apoio ao processo bolivariano. Quero que na Revolução Bolivariana fiquem ideias e pessoas como Edgardo Lander, um intelectual e um ativista que esteve em todas as lutas da esquerda nos últimos 20 anos (desde que eu o conheço). Não aceito que o considerem reacionário por presidir a mesa da coletiva de imprensa contra a violência nas ruas, uma mesa onde estava um ex-ministro do comandante Chávez.”

LINK (em espanhol): https://www.aporrea.org/ ideologia/a247363.html

Esquerda.net (07/06) – “Venezuela, meu amor”, por Joana Mortagua

“O chavismo passou de projeto do povo a ditadura de caudilho, e não há democrata no mundo que aceite pactuar com isso. A tragédia que todos temos medo de antever só pode ser evitada pela realização de eleições presidenciais. É essa a saída democrática exigida pelo povo venezuelano, é a que exigiríamos se lá estivéssemos, sem esquecer os tantos portugueses entre a população diariamente sujeita às pilhagens e à miséria. Bem sei que há uma esquerda cega que, 25 anos depois da queda do Muro, ainda acha que vale tudo na defesa de regimes pseudocomunistas. É escolha sua se Brejnev ainda lhes aquece os corações. A esquerda de que faço parte nunca foi ambígua sobre a condenação de regimes que oprimem o povo e sufocam a democracia. Isso vale para Angola e para o regime venezuelano, ainda que as calúnias da direita ignorante insistam que lhes temos amor.”

LINK (em português): http://www.esquerda.net/ opiniao/venezuela-meu-amor/ 49123

Esquerda.net (08/06) – “Clima e Acordo de Paris: Trump empurra nos para a ação”, por João Camargo

“O discurso de Trump foi absolutamente revelador. Há anos que o mesmo diz que não acredita em alterações climáticas e alimenta ideias estúpidas, como a de que os Estados Unidos produzem “carvão limpo” e que o aquecimento global é uma invenção da China para baixar as exportações americanas. Desta vez não foi assim: Trump não falou nas alterações climáticas quando afirmou a sua decisão de tirar os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre Alterações Climáticas. Não pôs em causa o consenso científico à volta das alterações climáticas nem a relação direta entre a queima de combustíveis fósseis e o aumento inequívoco de temperatura registado nas últimas décadas. O presidente dos EUA foi direto ao ponto: o Acordo de Paris prejudica os interesses das empresas americanas e é desvantajoso em termos de comércio internacional. O negacionismo das alterações climáticas ancora-se em duas rochas: a ignorância das ciências naturais e os interesses da mais violenta e poderosa indústria do mundo, a dos combustíveis fósseis. Trump já não se camufla na sua ignorância: é para o benefício das indústrias do carvão, do petróleo e do gás que os Estados Unidos abandonarão o Acordo de Paris e se posicionam como um novo estado falhado no palco internacional.”

LINK (em português): http://www.esquerda.net/ opiniao/clima-e-acordo-de- paris-trump-empurra-nos-para- acao/49069

OutrasPalavras (04/06) – “Para resgatar o espírito rebelde de Seattle”, por Walden Bello

“É verdade, o neoliberalismo continua a ser o discurso padrão entre vários economistas e tecnocratas. Mas mesmo antes do recente colapso financeiro global ele já havia perdido muito de sua credibilidade e legitimidade. O que fez a diferença? Não tanto a pesquisa ou debate, mas a ação. Foi necessário que acontecessem as ações de massas nas ruas de Seattle, interagindo de modo sinérgico com a resistência de representantes dos países em desenvolvimento no Centro de Convenções do Sheraton, e uma rebelião da polícia, para provocar o espetacular colapso de uma reunião ministerial da Organização Mundial de Comércio e traduzir aqueles factoides em fatos. E o fracasso intelectual imposto à globalização pela luta de Seattle teve consequências bem concretas. Hoje, a revista Economist, primeiro avatar da globalização neoliberal, admite que a “integração da economia mundial está em retração em quase todos os fronts” e um processo de “desglobalização”, que antes considerava se impensável, está na verdade em desenvolvimento.”

LINK (em português): http://outraspalavras.net/ destaques/para-resgatar- espirito-rebelde-de-seattle/

Viento Sur (04/06) – “A violência cretina dos credores”, por Michel Husson

“Em 18 de maio de 2017, uma maioria pequena do Parlamento grego (deputados do Syriza e Anel: 153 de 300 votos) aprovou um novo pacote de medidas de austeridade para o período 2018-2021. Em realidade, trata-se da transposição de um volumoso documento de 941 páginas elaborado pelos credores e da sintonização com o “acordo” alcançado com a Comissão Europeia em 2 de maio. O rascunho do documento, o Draft Preliminary Agreement mostra o amplo campo que abarca. Grécia já não é mais uma democracia: são os credores quem elaboram as leis”.

LINK (em espanhol): http://vientosur.info/spip. php?article12658

VientoSur (07/06) – “Mélenchon e a construção do sujeito popular”, por Gonzalo Donaire

“A pergunta é se esse sujeito popular construído em torno desse tipo de candidatura é útil para dar a batalha em outras arenas. A mais imediata são as eleições legislativas de junho, esse “terceiro turno” com 577 circunscrições onde a etiqueta do candidato presidencial deve se combinar com o enraizamento territorial das candidaturas, programas e alianças. Porém mais importante ainda, uma vez que se passe o ciclo eleitoral, chegarão os cortes anunciados por Macron e seu governo, seguirá o desemprego, as deigualdades, o Estado de Emergência e a violência policial nas periferias. Esse “povo” construído a partir da agregação de individualidades rompidas pelo neoliberalismo graças ao traçado astuto de novas fronteiras entre elites e “gente corrente”, dando-lhe as costas para os setores mais organizados, poderá ser uma ferramenta útil para essas lutas que vêm?”

LINK (em espanhol): http://vientosur.info/spip. php?article12668#sthash. 40hE19A7.dpuf

Rebelión (08/06) – “Índia: a grande potência do em meio”, por Immanuel Wallerstein

“Claramente, o problema é que a Índia é um país “de em meio”. É suficientemente forte para ser levada em consideração pelos outros, mas não é o suficiente forte para desempenhar um papel decisivo. Assim, conforme as demais potências embaralham constantemente suas prioridade, Índia parece destinada a ser uma que reage a suas iniciativas, mais que uma que faça os outros reagirem às iniciativas da Índia. Isso mudará na próxima década. Na caótica geopolítica do estado atual do sistema-mundo, tudo é possível. Mas não parece demasiado provável”.

Link (em espanhol): http://www.rebelion.org/ noticia.php?id=227727

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