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A decisão de Trump de impor direitos aduaneiros de 25% sobre as importações de aço e 10% sobre as importações de alumínio está em conformidade com as promessas feitas durante a campanha eleitoral. Será eficaz muito rapidamente e afetará todos os países excepto o Canadá e o México: estão temporariamente isentos… enquanto aguardam o resultado da renegociação do NAFTA (Acordo de Comércio Livre Norte-Americano). Trump está, assim, pressionando seus parceiros norte-americanos, que, respectivamente, são os primeiros e quartos fornecedores de aço e alumínio para os Estados Unidos.

Há economistas que acreditam que a decisão é, antes de tudo, simbólica; para outros, marca o início de uma guerra comercial. Este ponto de vista econômico não é talvez o mais adequado para compreender a questão. O aumento das tarifas afeta apenas 2% das importações norte-americanas e Trump não tem o monopólio das medidas protecionistas: pouco antes de sua nomeação como candidato do Partido Republicano, a OMC estava preocupada inclusive com sua proliferação (no período 2009-2016 foram introduzidas mais de 2.000 medidas e 22 por mês em 2015-2016… por governos que se apresentaram como defensores do livre comércio globalizado). As empresas americanas em causa poderiam repercutir os impostos nos preços no consumidor, mas é pouco provável que tal provoque um aumento da inflação, um aumento dos direitos aduaneiros e uma diminuição do crescimento mundial: a sobretaxa de aço representa 0,07% do consumo das famílias. Os capitalistas do setor cervejeiro evocam a perda de 20.000 empregos (colocando a culpa no aumento do preço das embalagens de alumínio,); outros setores também protestam. Mas nessas reações há muito exagero: a isenção fiscal que Trump ofereceu aos patrões excede em muito a carga pelo aumento das tarifas….

Uma decisão mais política que econômica

A decisão é essencialmente política. Para Trump, trata-se de permanecer no poder, ganhar um segundo mandato e avançar rumo a um Estado forte. Para conseguir isso, ele deve se elevar acima dos partidos (o caos, portanto, joga a seu favor). A muito curto prazo, o anúncio do aumento das taxas alfandegárias é uma tentativa de influenciar a eleição especial, em 13 de março, de um representante no Congresso da Pensilvânia: salpicado por um escândalo sexual (mais um!), um eleito republicano abandona e as pesquisas são favoráveis ao candidato democrata. Agora, Trump quer manter a maioria republicana no Congresso, e a Pensilvânia é uma terra de siderurgia. No curto prazo, o presidente tem seus olhos postos nas eleições de médio prazo que ocorrerão no outono. A médio prazo, ele já está fazendo campanha para a reeleição em 2020. Como em 2016, ele se concentra nos “estados-pêndulo”, particularmente os estados do “Cinturão enferrujado”. É aqui que a sua demagogia social pode fazer a diferença para um Partido Democrata que quer manter a orientação neoliberal globalista a qualquer preço.

Projeto capitalista ultra-agressivo

Para Trump, os Estados Unidos, suas empresas, seus trabalhadores e trabalhadores são vítimas da debilidade dos dirigentes americanos (com Obama à cabeça) frente aos baixos golpes comerciais de outras nações. Portanto, o declínio do emprego industrial nos Estados Unidos não é o resultado da estratégia das multinacionais americanas, mas das decepções de outros países, particularmente da China, onde estas multinacionais investem para maximizar os seus lucros. A vitimização serve assim como justificação para um projeto capitalista ultra-agressivo, nacionalista, potencialmente guerreiro (“América primeiro”). Um projeto no qual a luta contra os estrangeiros e contra o “globalismo” reforça o neoliberalismo, transformando o ressentimento contra seus desastres em energia reacionária.

Trump está ainda mais incitado a acentuar esta dinâmica política à medida que a investigação de Mueller [procurador especial nomeado] sobre as ligações com a Rússia o ameaça cada vez mais. Isto poderia levá-lo a tomar outras medidas protecionistas num futuro próximo, desta vez contra a China (pouco afetada pelas tarifas sobre o aço e o alumínio).

A alternativa: as lutas sociais

As multinacionais americanas e Wall Street não apoiam esta orientação. Isto é expresso pela demissão de Gary Cohn, o antigo chefe (democrata!) do Conselho Econômico da Casa Branca, um dos homens de Goldman-Sachs na equipe de Trump. O Partido Republicano também não o apoia (a direita libertária é mesmo frontalmente oposta). Mas Trump mantém o apoio das bases [republicanas]. Quanto ao capital, na ausência de uma alternativa, até agora tem se acomodado a política realizado. Parece estranho? O slogan do mundo dos negócios é “Make money great again” e o balanço de Trump, deste ponto de vista, permanece globalmente positivo. Então a situação é mais perigosa do que nunca. A alternativa só pode vir das lutas sociais. Deste ponto de vista, o apoio da direção da AFL-CIO às decisões sobre aço e alumínio é mais do que perturbador…

Original: Gauche Anticapitaliste

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