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Nesta edição do Clipping Semanal do Observatório Internacional, destacamos, entre outros temas: os multitudinários protestos em Porto Rico contra o governador Ricardo Rosselló, a continuidade dos protestos em Hong Kong contra o autoritarismo chinês, a demolição de casas palestinas na região de Jerusalém, a chegada de Boris Johnson ao governo britânico, a escalada racista de Donald Trump, o aumento de tensões entre os EUA e a China, a resistência em Arequipa contra a construção de um projeto minerador e a organização de imigrantes no Chile para demandar políticas públicas do governo Piñera.

Uma excelente leitura a todos e até a próxima semana!

NOTÍCIAS E ARTIGOS DA IMPRENSA INTERNACIONAL

Protestos em Porto Rico

BBC Mundo (19/07): “Crise em Porto Rico: 3 chaves para entender os protestos contra Rosselló “sem precedentes” na ilha” (em espanhol)

Porto-riquenhos de todas as classes se uniram ao grito de “Ricky, renuncia!” depois do vazamento de centenas de mensagens do Telegram cheios de comentários homofóbicos ou sexistas nos quais o governador e seu círculo íntimo de colaboradores insultam críticos de seu governo.

NY Times (22/07): “Porto Rico enfrentou décadas de problemas econômicos. Como isso afeta os EUA?” (em inglês)

Porto Rico enfrenta uma grande crise política e dezenas de milhares exigem a renúncia do governador Ricardo A. Rosselló. Os manifestantes ocuparam nesta segunda-feira quilômetros de uma estrada principal em San Juan ao se unir a um protesto massivo contra Rosselló, que resiste em renunciar.

Washington Post (22/07): “Levante em Porto Rico não é apenas por causa do governador. Quatro aspectos para compreender a situação” (em inglês)

Nas últimas duas semanas, houve uma onda de protestos nas ruas de Porto Rico e pedidos pela renúncia do governador Ricardo Rosselló. Os protestos de rua foram tão grandes na segunda-feira que fecharam uma importante rodovia. O que provocou esses protestos?

Protestos em Hong Kong

Telegraph (21/07): “Manifestantes de Hong Kong entram em choque com a polícia depois de protesto massivo por democracia” (em inglês)

Centenas de policiais dispararam bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha enquanto enfrentavam manifestantes mascarados no centro de Hong Kong na noite passada, depois que manifestantes jogaram ovos e vandalizaram o escritório de ligação da China à cidade, desafiando diretamente a autoridade de Pequim.

Le Monde (22/07): “Hong Kong se afunda numa crise cada vez mais complexa” (em francês)

Várias horas depois do final de uma nova grande marcha pacífica nas ruas de Hong Kong, no domingo à tarde, jatos de tinta preta foram jogados no emblema da República Popular da China, na fachada do Escritório de Integração a Beijing, em Hong Kong. O ato altamente simbólico provocou uma condenação imediata da China como um “desafio direto à soberania nacional”.

Protestos no Sudão

Al-Jazeera (18/07): “Centenas marcham no Sudão para honrar os ‘mártires’ dos protestos” (em inglês)

A polícia dispara bombas de gás lacrimogêneo enquanto protestos em Cartum homenageavam dezenas de manifestantes mortos nos protestos desde dezembro.

Demolições de moradias palestinas

The Guardian (22/07): “Equipes israelenses demolem casas palestinas em Jerusalém Oriental” (em inglês)

Equipes de trabalho israelenses começaram a demolir dezenas de casas palestinas em um bairro de Jerusalém Oriental em uma das maiores operações do tipo em anos. As demolições encerraram uma longa batalha legal pelos edifícios, construída ao longo da linha invisível entre a cidade e a Cisjordânia ocupada. Israel diz que os edifícios foram erguidos muito perto da barreira de separação da Cisjordânia. Moradores dizem que os prédios estão em terras da Cisjordânia, e a Autoridade Palestina lhes deu licenças de construção

Escolha do novo premiê do Reino Unido

The Guardian (23/07): “Boris Johnson eleito novo líder Tory” (em inglês)

Boris Johnson se tornará o próximo primeiro-ministro da Grã-Bretanha depois de conquistar uma convincente vitória sobre Jeremy Hunt na corrida de liderança do Partido Conservador.
O ex-prefeito de Londres, que há muito acalenta a ambição de liderar seu país, obteve 66% dos votos – 92.153, para 46.656 da Hunt. A participação foi de 87,4% entre 159.320 membros do partido.

El País (23/07): “O estilo de Boris Johnson: uma ode à excentricidade da classe alta britânica” (em espanhol)

Depois de quase um século em busca de seu Winston Churchill, Reino Unido ao final terminou conseguindo seu Donald Trump. Além das enormes semelhanças como estadista que se encontram entre o atual Presidente dos EUA e o recentemente nomeado primeiro-ministro britânico há algo em seu estilo, em sua forma de vestir, de gesticular, inclusive em sua educação e em sua forma de se relacionar com seus amigos e seus inimigos, tanto do seu próprio sexo como do feminino, que lhe emparelha. Se fossem dois personagens de The Simpsons – ainda está por confirmar que não o sejam -, Trump seria Nelson Muntz – o valentão traumatizado – e Boris Johnson seria Homer Simpson, a simples, lhana e às vezes até entranhável inoperância.

Formação de governo na Espanha

France24 (23/07): “Unidas Podemos pede cargos de alto escalão e complica a investidura de Pedro Sánchez na Espanha” (em espanhol)

O líder socialista apresentou seu programa de governo ante o Congresso, com escassas sinalizações para a formação de esquerda, com a qual pretende formar uma coalizão. Desde esse setor advertiram que não aceitarão ser um elemento “decorativo”.

Eleições parlamentares na Ucrânia

The Moscow Times (22/07): “Nas eleições da Ucrânia, Zelenskiy ganha novamente” (em inglês)

O partido do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, Servo do Povo, deve vencer a eleição parlamentar de domingo, ganhando uma quase-maioria que daria ao presidente iniciante mais poder do que seu antecessor desfrutava. O que Zelenskiy vai fazer com isso ainda é um mistério.

LGBTfobia na Rússia

The Guardian (22/07): “Vítima de assassinato em São Petersburgo era “ativista de direitos LGBT bem conhecida”” (em inglês)

Ativistas russos disseram que uma mulher encontrada morta com várias facadas na cidade de São Petersburgo era uma ativista conhecida que havia recebido ameaças sobre seus protestos por direitos LGBT e causas da oposição.

Racismo de Trump

NY Times (16/07): “Trump reaviva as chamas do fogo racial” (em espanhol)

Quando se trata da raça, Trump joga com jogo como não o fez nenhum presidente num século. Ainda que outros de seus antecessores na Casa Branca em ocasiões se aproximaram ou inclusive cruzaram a linha ao encontrar modos de apelar aos ressentimentos dos estadunidenses brancos de maneira sutil e não tão sutil, nenhum na época moderna atiçou as chamas de maneira tão aberta, implacável e inclusive entusiasta como Donald Trump.

El País (21/07): “Trump, a raça e a caixa de tronos” (em espanhol)

Segundo uma pesquisa de IPSOS/USA Today desta mesma semana, em 57% dos republicanos está de acordo com as mensagens que o mandatário publicou a semana passada. Na quarta-feira passada, em seu primeiro comício depois da polêmica, o publico começou a gritar: “Mande-a de volta, mande-a de volta”, é referência a Omar. Muçulmana, muito crítica a Israel e a política exterior dos EUA, é carne de canhão para os conservadores e a mais atacada por Trump.

Tensões com o Irã

The Guardian (22/07): “Irã afirma ter detido 17 espiões da CIA” (em inglês)

Dezessete cidadãos iranianos supostamente recrutados pela CIA para espionar os locais nucleares e militares do Irã foram detidos, disse Teerã na segunda-feira, acrescentando que alguns deles já foram condenados à morte.

Disputa hegemônica entre China e EUA

Xinhua (23/07): “China insta os EUA a deter conduta irresponsável sobre questão de Mar do Sul da China” (em espanhol)

China instou hoje segunda-feira os Estados Unidos a deixar de provocar problemas sobre a questão do Mar do Sul da China e a respeitar os esforços dos países regionais para resolver as disputas através do diálogo.

CNN (22/07): “EUA sanciona companhia chinesa por comprar petróleo iraniano. Beijing classifica comportamento como “bullying” (em inglês)

Os Estados Unidos impuseram sanções a uma empresa chinesa por importação de petróleo iraniano, violando as restrições impostas pelos EUA à indústria petrolífera do Irã.

Tensões na Ásia

El País (23/07): “Seul realiza centenas de disparos de advertência depois da intromissão da Rússia em seu espaço aéreo” (em espanhol)

As autoridades da Coreia do Sul asseguraram nesta terça-feira que seus aviões efetuaram várias centenas de disparos de advertência para um avião militar russo que, segundo Seul, havia penetrado no espaço aéreo sul-coreano. A Rússia assegura que tudo ocorreu sobre águas neutras do mar do Japão.

Protestos na Filipinas

Associated Press (22/07): “Duterte comparece ao Congresso filipino em meio a protestos” (em espanhol)

O presidente da Filipinas, Rodrigo Duterte, tinha previsto se dirigir na segunda-feira a uma plenária do Congresso filipino, onde seus aliados têm mais controle, para pressionar em favor de algumas de suas prioridades, como reinstaurar a pena de morte e emendar a democrática constituição. Duterte tinha previsto oferecer seu discurso sobre o estado da nação na Câmara de Representantes, onde milhares de manifestantes começavam a se reunir para protestar no exterior e pedir sua renúncia por vários motivos, inclusive sua brutal campanha antidrogas.

Protestos em Arequipa

TeleSur (22/07): “Reportam repressão contra manifestantes que rechaçam Tía María” (em espanhol)

Diversos setores de profissionais e agremiados dentro do território peruano se somaram ao protesto pacífico contra este projeto minerador autorizado pelo presidente Martín Vizcarra.

Prisão de Alejandro Toledo

EFE (16/07): “Alejandro Toledo, detido pela Justiça dos EUA, que determinará sua extradição” (em espanhol)

A extradição ao Peru do ex-presidente Alejandro Toledo entrou nesta terça-feira em sua fase definitiva depois de ser detido em sua residência da Califórnia e ficar formalmente a disposição da Justiça estadunidense, que agora vai decidir se o entrega a seu país de origem, acusado de atos de corrupção.

Protestos no Chile

El Comercio (21/07): “Centenas de imigrantes protestam em Santiago por novas leis migratórias” (em espanhol)

Centenas de imigrantes protestaram neste domingo em Santiago para rejeitar as políticas migratórias do governo do Chile, as quais são acusadas de obstaculizar a regularização do massivo êxodo de estrangeiros que chegou ao país nos últimos anos.

Eleições bolivianas

Clarín (21/07): “Arranca a campanha eleitoral na Bolívia com pesquisas a favor de Evo Morales” (em espanhol)

A campanha eleitoral para o pleito de outubro começou nesta segunda-feira na Bolívia com o presidente do país, Evo Morales, como favorito segundo as últimas pesquisas, com onze pontos de vantagem em relação ao opositor melhor situado.

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ARTIGOS E DEBATES DA ESQUERDA MUNDIAL

Protestos em Porto Rico

CADTM (21/07): “A população sai à rua contra o sexismo, a homofobia, a austeridade e a corrupção“, por Pierre Gottiniaux (em português)

Estalou recentemente em Porto Rico um escândalo que levou a população a sair à rua; milhares de pessoas gritaram as palavras de ordem «Ricky, renuncia!» – Ricardo Rossello é o atual governador da ilha.

Jacobin Magazine (17/07): “Porto Rico se levanta“, por Fernando Tormos-Aponte (em inglês)

Enquanto os porto-riquenhos comuns estavam lutando para se recuperar do furacão María, o governador Ricardo Rosselló estava conspirando para esconder a extensão da devastação e brincando sobre a morte de rivais políticos em um bate-papo do Telegram. Agora, essas mensagens são todas públicas – e o povo porto-riquenho está pronto para uma alternativa.

The Nation (19/07): “Por que meio milhão de porto-riquenhos estão nas ruas protestando?“, por Ed Morales (em inglês)

Todos os sinais sugerem que o governador Rosselló provavelmente será forçado a renunciar, apesar de sua insistência contínua de que não há provas de qualquer irregularidade legal nos bate-papos, e que suas únicas ofensas eram de impropriedade. Mas os desafios do futuro são extremamente assustadores, já que o vácuo de poder deixado por um governo vacilante provavelmente será preenchido pelo FOMB.

Boris Johnson

Jacobin Magazine (23/07): “A resistência a Boris Johnson deve começar hoje“, por Matt Zarb-Cousin (em inglês)

Com Boris Johnson como primeiro-ministro, um não-acordo Brexit é uma possibilidade real. A esquerda deve começar a organizar agora para evitá-lo.

Jacobin Magazine (23/07): “A sorte de Boris Johnson está prestes a acabar” (em inglês)

A carreira de Boris Johnson tem sido uma longa brincadeira de irresponsabilidade livre de consequências. Agora, enquanto ele enfrenta um Brexit impossível e um escrutínio público sem precedentes, sua sorte está prestes a terminar.

Socialist Worker (23/07): ” Boris Johnson está pronto para falhar ao imitar o plano Brexit de May” (em inglês)

O Brexit será o primeiro e inevitável teste de Boris Johnson. Ele finge que uma crença em um “renascimento nacional” e algumas frases em latim serão suficientes para varrer todos os obstáculos. É uma ilusão.

40 anos da Revolução Nicaraguense

Viento Sur (18/07): “Quarenta anos mais tarde…“, por Tino Brugos (em espanhol)

O sonho da revolução deixou de existir, cedendo espaço a uma nova fase de sobrevivência que permitisse uma posterior volta ao poder. Para isso se aceitou entrar num jogo de posições e de alianças políticas, totalmente contraditórias com a mística da revolução.

Rebelion.org (20/07): “Entre a Revolução Sandinista e a ditadura orteguista“, por Monica Baltodano (em espanhol)

Como pôde uma revolução que despertou tanta admiração e esperança terminar desfigurada, repudiada pela maioria do povo? Como mudou o rosto daquela luta até adquirir as facções monstruosas de uma ditadura personalista, sangrenta e criminosa?

NewPol (18/07): “Quadragésimo Aniversário da Revolução Nicaraguense; Vigésimo Nono Aniversário da Contra-Revolução no Poder“, por Dan La Botz (em inglês)

O governo dos Estados Unidos não pode exercer nenhum papel progressista na Nicarágua e nós, nos Estados Unidos, devemos nos opor às sanções econômicas dos EUA, à pressão política e, acima de tudo, a qualquer intervenção militar. Ao mesmo tempo, o povo nicaraguense, seu movimento suprimido no momento, continua a ansiar pelo fim da ditadura de Ortega e devemos ficar do lado deles.

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