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Nesta edição do Clipping Semanal, selecionamos os seguintes destaques do noticiário político e econômico do noticiário internacional: a renúncia do governador de Porto Rico, a repressão a protestos em Hong Kong e Rússia, a autorização da Suprema Corte dos EUA para a construção do muro na fronteira, as mais recentes ofensas racistas de Donald Trump, o acirramento de tensões entre as potências ocidentais e o Irã, o maior desastre do ano com barcos de refugiados no Mediterrâneo, a proposta de adiantamento das eleições gerais no Peru, o impasse da investidura do governo no Estado Espanhol, o plano econômico de Boris Johnson no Reino Unido, entre outros assuntos.

NOTÍCIAS E ARTIGOS DA IMPRENSA INTERNACIONAL

Renúncia de governador de Porto Rico

BBC Mundo (25/07): “Crise em Porto Rico: Ricardo Rosselló renuncia forçado pelos intensos protestos depois do escândalo do chat” (em espanhol)

Ricardo Rosselló anunciou nesta quarta-feira que renuncia a seu cargo como governador de Porto Rico em meio ao chamado “escândalos do chat”. (…) Os milhares de manifestantes que estavam concentrados do lado de fora da Fortaleza, a residência oficial, explodiram de júbilo quando o governador confirmou sua saída ao grito de “Ricky, te tiramos”.

El Diario (28/07): “A secretária de Justiça não tem interesse no cargo de governadora” (em espanhol)

A secretária de Justiça de Porto Rico, Wanda Vázquez, disse neste domingo que espera que o governador Ricardo Rosselló nomeie antes de 2 de agosto, dia que deixará o cargo depois de renunciar, a um novo secretário de Estado já que ela não tem “interesse” em ocupar o posto como chefa do Executivo.

Protestos em Hong Kong

The Guardian (28/07): “Polícia e manifestantes enfrentam-se em Hong Kong pelo terceiro dia de distúrbios” (em inglês)

Hong Kong teve seu terceiro dia consecutivo de protestos massivos quando os manifestantes e a polícia antidistúrbios que disparam gases lacrimogêneos e balas de borracha se enfrentaram em vários locais da cidade. Dezenas de milhares de manifestantes, vestidos de preto e armados com guarda-chuvas e capacetes, desafiaram as ordens da polícia de manter a concentração do domingo restrita a um parque no centro de Hong Kong e se espalharam por toda a cidade na primeira hora da tarde. Correram de oeste a leste, ocuparam as ruas principais, levantaram barricadas e cantaram: “Protesta Hong Kong!”.

Protestos na Rússia

The Moscow Times (27/07): “Polícia detém mais de 1000 manifestantes em protestos por eleições em Moscou” (em inglês)

Durante duas semanas, as autoridades permitiram à oposição política da Rússia desafogar a frustração nas ruas da capital pela decisão dos funcionários eleitorais de impedir que os candidatos contra o establishment se postulem nas próximas eleições locais. Mas depois de que cerca de 22 500 pessoas compareceram a um protesto no centro de Moscou no fim de semana passado que foi aprovada pelos funcionários da cidade, a maios num ato liderado pela oposição nos últimos anos, as autoridades decidiram que já era suficiente.

Assentamentos na Palestina

The National (25/07): “Presidente palestino Mahmoud Abbas romperá laços com Israel” (em inglês)

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, disse que seu governo vai parar de implementar acordos com Israel em resposta à demolição de casas palestinas recém-construídas perto de Jerusalém Oriental. Um comitê especial será formado para supervisionar a cessação de toda a cooperação com Israel, disse Abbas em uma reunião da liderança palestina convocada na noite de quinta-feira para discutir a demolição militar israelense na segunda-feira de edifícios residenciais, muitos dos quais ainda estavam em construção, na área de Sur Baher, que atravessa a Cisjordânia e Jerusalém.

Tensões entre Reino Unido e Irã

The NY Times (28/07): “Irã liga apreensão britânica de petroleiro a um acordo nuclear” (em inglês)

O Irã pela primeira vez atou a apreensão britânica de um petroleiro iraniano ao negócio nuclear, no domingo, classificando-o de ilegal e uma violação do acordo. Ao fazer essa ligação, o Irã parecia estar tentando pressionar os europeus a cumprirem os prometidos benefícios financeiros do acordo de 2015 conhecido como Plano de Ação Compreensivo Conjunto, ou J.C.P.O.A.

Sudão

Al-Jazeera (28/07): “Os manifestantes do Sudão rejeitam o relatório do promotor sobre a repressão de junho” (em inglês)

Centenas de pessoas se reuniram em partes da capital do Sudão, Cartum, para exigir uma investigação independente sobre uma incursão mortal em junho em um acampamento de protesto, depois que uma investigação culpou sua sangrenta dispersão por militares “desonestos”.

Crise humanitária no Mediterrâneo

Al-Jazeera (26/07): “Até 150 pessoas desaparecidas em ‘pior tragédia do ano no Mediterrâneo‘” (em inglês)

Segundo os organismos de ajuda e funcionários, muitos refugiados e migrantes afogaram depois que os barcos nos quais viajaram afundaram na costa da Líbia no mar Mediterrâneo. Ayoub Qasim, porta-voz da guarda-costeira da Líbia, disse à agência de notícias The Associated Press que dois barcos que transportavam cerca de 300 pessoas se afundaram aproximadamente a 120 km do leste da capital, Trípoli, antes de agregar que 134 haviam sido resgatados.

Investidura fracassada na Espanha

The Guardian (25/07): “Investidura de primeiro-ministro espanhol fracassa em segunda tentativa de formar governo” (em inglês)

O primeiro-ministro interino socialista espanhol, Pedro Sánchez, fracassou numa segunda tentativa de formar um governo depois que não pôde chegar a um acordo com seu único possível sócio de coalizão, o partido anti-austeridade Unidas Podemos. Sánchez somente necessitava uma maioria simples no parlamento para chegar a um acordo, mas depois de 48 horas de agitação negociando, o líder de Podemos, Pablo Iglesias, anunciou que seu partido iria se abster durante a segunda rodada de votações e o resultado de 124 a favor de Sánchez, 155 votos contra e 67 abstenções.

Plano econômico de Boris Johnson

El País (28/07): “As contas de Boris Johnson, o otimista” (em espanhol)

O novo primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, lançou um rompedor programa de corte de impostos com a esperança de reativar a economia e financiar assim um ambicioso programa de investimentos públicos que, de entrada, custaria mais de 30 bilhões de libras, cerca de 33,2 bilhões de euros. E muitíssimo mais se colocadas em marcha todas as propostas que lançou durante sua campanha pela liderança dos conservadores britânicos.

Onda de calor extremo na Europa

DW (25/07): “Europa se derrete por onda de calor e rompe novos recordes” (em espanhol)

Milhões de europeus viveram uma quinta-feira (25/07/2019) sufocante pela onda de calor, a segunda em menos de um mês, que culminou com recordes de temperatura na Alemanha, Bélgica e Holanda, assim como em Paris, onde alcançaram os 42 graus. As ondas de calor serão cada vez mais frequentes em todo o mundo, segundo cientistas, que responsabilizam à mudança climática provocado pelo ser humano. As temperaturas mundiais nunca aumentaram nos últimos 2000 anos tão rápido como agora, segundo dados publicados na quarta-feira em dois estudos separados nas revistas Nature e Nature Geoscience.

Autorização judicial para Trump

NY Times (26/07): “Suprema Corte autoriza Trump a construir muro na fronteira” (em inglês)

A Corte Suprema dos Estados Unidos deu a Donald Trump uma primeira vitória em sua iniciativa para ter um muro ao longo da fronteira com o México, ao autorizar em 26 de julho que o governo possa começar a usar 2,5 bilhões de dólares do Pentágono para a construção. Numa decisão de cinco magistrados a favor e quatro contra, o tribunal reverteu a decisão de uma corte de apelações e disse que o governo pode usar o dinheiro no qual se resolvem outros litígios a respeito.

Ofensas racistas de Trump

CNN (28/07): “Baltimore defende sua cidade depois que Trump tweetou ‘nenhum ser humano gostaria de viver ali‘” (em inglês)

Baltimore não encarou calada o recente ataque do presidente Donald Trump à cidade. Em contrapartida, Charm City se levantou rapidamente e se defendeu. Trump arremeteu contra outro proeminente legislador afro-americano no sábado, e tweetou que seu distrito de Baltimore é ‘um desastre asqueroso, infestado de ratos e roedores'”.

Adiantamento de Eleições Gerais para 2020

El Comercio (28/07): “Martín Vizcarra propõe adiantamento de eleições gerais para 2020” (em espanhol)

Um anúncio surpreendente realizou o presidente Martín Vizcarra ante o plenário do Congresso da República como parte de seu discurso por Fiestas Patrias: a apresentação de um projeto de reforma constitucional para que as eleições gerais previstas para 2021 sejam realizadas um ano antes, em 2020.

Mobilizações na Colômbia

El País (27/07): “Colômbia marcha pelos líderes sociais assassinados” (em espanhol)

Em Bogotá, um grupo de artistas levantava fotografias enormes de líderes sociais que os cidadãos levavam junto ao corpo, enquanto outros cantavam e dançavam, e uma longa faixa com os nomes dos nomes dos mortos percorria várias ruas. Em Cartagena, o presidente colombiano quis se somar à manifestação, mas teve que se retirar escoltado depois de ser vaiado.

Poluição no Chile

The Guardian (27/07): “Derramamento de óleo no Chile: 40.000 litros de diesel foram derramados no mar ao longo da Patagônia” (em inglês)

Quarenta mil litros de óleo diesel foram derramados no mar em uma área remota e intocada da Patagônia, confirmou a Marinha do Chile no domingo. O derramamento ocorreu na seção chilena da Patagônia – uma região que abrange a ponta sul da América do Sul e abrange o Chile e a Argentina.

ARTIGOS E DEBATES DA ESQUERDA INTERNACIONAL

Debate sobre investidura de governo espanhol

Viento Sur (27/07): “O governo de coalizão, em via morta. E agora, o quê?“, por Jaime Pastor (em espanhol)

Da experiências destes dias deveríamos concluir que a via escolhida pela direção de UP para responder à aspiração expressa em 28 de abril, de que se formasse um governo alternativo ao do tripartido reacionário, somente podia conduzir ao fracasso dada a natureza de partido do regime que caracteriza o PSOE e à vista da relação de forças que separa ambas as formações políticas.

Publico.es (27/07): “Principal objetivo: matar o Podemos?“, por Juan Carlos Monedero (em espanhol)

O objetivo de Pedro Sánchez era acabar com o Podemos demonizando Pablo Iglesias. Perdeu o roteiro quando Iglesias se colocou de lado. objetivo de Pedro Sánchez era acabar con Podemos demonizando a Pablo Iglesias. Transcorreram dois dias fora de lugar. Aí aconteceu a intervenção brilhante de Iglesias que deixou estatelado em sua cadeira Sánchez que, pela primeira vez na história da recuperada democracia, não terminou a réplica num debate de investidura. Mas os que mandam não deixariam que Podemos tivesse êxito. Sabiam que o relato, construído pelos meios, ia fazer sua parte.

Cordópolis (27/07): “É um desastre que ninguém se preocupe que a Espanha vai desaparecer” – Entrevista com Julio Anguita (em espanhol)

O problema da sessão de investidura é que Sánchez, com quem menos queria pactuar era quem ele se via obrigado a pactuar. (…) O PSOE sempre tentou acabar com tudo o que está à sua esquerda.

Boris Johnson

Jacobin Magazine (28/07): “Ser anti-Boris não é suficiente“, Ronan Burtenshaw (em inglês)

Ataques a personagens e questões legais não impediram Berlusconi e Trump, e eles não pararam Boris Johnson. Manter a forte mensagem socialista democrática de Corbyn é o caminho para vencê-lo.

Rebelion.org (27/07): “Boris Johnson promete abandonar a UE em 31 de outubro, mas…“, por Isabella Arria (em espanhol)

Boris Johnson sabe que seu mandato como primeiro-ministro depende de fazer cumprir sua promessa de que o Reino Unido sairá da União Europeia. (…) Seu gabinete está repleto de ministros sedentos por vingança, de pagamento de favores, mas também de aliados fiéis, a maioria deles eurocéticos declarados.

The Guardian (26/07): “Uma eleição se aproxima – e os trabalhistas devem agir agora para perfurar a arrogância de Johnson, por Owen Jones (em inglês)

A falta de visibilidade da mídia de Corbyn deve ser resolvida escolhendo brigas com interesses impopulares, revivendo a narrativa “muitos não poucos” do partido. Isso deve ser combinado com um esforço para definir o novo primeiro-ministro como uma criatura do establishment: ele personifica seu direito, incompetência e divórcio total da experiência vivida por milhões de pessoas que sofreram o pior aperto nos padrões de vida por gerações. A pesquisa revela que Johnson é particularmente fraco com as mulheres: o Labour deve colocar as políticas pró-mulheres na vanguarda de seus esforços.

Tensões do Ocidente com o Irã

Rebelion.org (29/07): “Conter ao Irã? Não, a Trump“, por Robert Fisk (em espanhol)

Um presidente americano que é um homem racista, misógino, desonesto e psicologicamente perturbado – assistido por dois conselheiros viciosos e igualmente desonrosos e delirantes – está ameaçando ir à guerra com o Irã enquanto um palhaço acenando e igualmente em série, que é provavelmente o futuro primeiro-ministro britânico, prefere se concentrar na autodestruição de seu país, em vez do seqüestro de seus navios.

Orient XXI (20/07): “Em Washington, aqueles que acreditam em uma negociação com Teerã“, por Régis Genté (em francês)

A prisão de um navio-tanque britânico pela marinha iraniana, a destruição de um drone iraniano pela Marinha dos EUA, são os últimos sinais da crescente tensão no Golfo. Mas alguns em Washington acreditam que essa escalada serve como um prelúdio para as negociações.

Economia Global

Esquerda.net (20/07): “O problema econômico é a política“, por Francisco Louçã (em português)

Some-se a vitória de Boris Johnson e o provável ‘Brexit’ conflituoso com Trump na sala de comando da guerra comercial. E as tensões sociais, dado que nunca houve um período de desemprego baixo sem que os salários cresçam alguma coisa, e agora a precarização criou uma ecologia de medo. Como não sobem os salários, a inflação na zona euro está presa nos 1,1%, ou seja, nada. Portanto, tudo se conjuga para se manterem os juros baixos, promotores da instabilidade financeira. Política e finanças são a combinação tóxica do nosso tempo.

El Diario (25/07): “Para salvar o euro, Christine Lagarde deverá enfrentar Berlim“, por Yanis Varoufakis (em espanhol)

Lagarde é certamente inteligente o suficiente para entender a necessidade de tal façanha – e fazê-lo se ela se dedicar a isso. A verdadeira questão é se ela tem a inclinação de confrontar Berlim de frente, a ponto de dizer ao governo alemão que é a sua maneira ou, em última análise, o fim do euro e um retorno caótico ao marco alemão. Os presságios, receio, não são bons.

The Next Recession (29/07): “Revisão dos lucros nos EUA“, por Michael Roberts (em inglês)

Parece que os lucros em setores improdutivos, como finanças e imóveis, estão começando a sofrer. Os lucros financeiros são cerca de 25% do total de lucros corporativos e estão estagnados no ano passado. Se eles devem cair, assim como os lucros do setor não financeiro, isso pode gerar um colapso no mercado de ações no segundo semestre deste ano.

Protestos em Porto Rico

The Nation (25/07): “Porto-riquenhos estão lutando pela democracia que lhes foi negado“, por John Nichols (em inglês)

Porto Rico é uma comunidade americana, onde os cidadãos norte-americanos vivem, pagam impostos e servem nas forças armadas, mas os moradores não têm direito a voto nas eleições presidenciais ou têm representação de voto no Congresso dos EUA.

Democracy Now (25/07): “Avante, Porto Rico, avante!“, por Amy Goodman e Denis Moynihan (em espanhol)

Os porto-riquenhos sofreram durante longo tempo pelo status colonial da ilha, tanto a nível local como na diáspora nos Estados Unidos. Há apenas cinquenta anos foi formado a filial nova-iorquina dos Young Lords, uma organização revolucionária de jovens porto-riquenhos, para enfrentar as injustiças que sofriam os latinos empobrecidos do centro da cidade.

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