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Esta edição do Clipping do Observatório Internacional da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco tem como destaque, uma vez mais, as rebeliões populares e inúmeros protestos que tomam as ruas de diversos países do globo, seja contra os regimes políticos injustos e pouco democráticos, seja contra o neoliberalismo. Chile, Haiti, Líbano, Iraque, Catalunha, Hong Kong, Guiné, Argélia, Panamá, Nicarágua… Os ventos da contestação percorrem o mundo!

Outro tema que merece a atenção deste trabalho são os processos eleitorais na América do Sul. Se o macrismo foi derrotado definitivamente na Argentina e o uribismo começa a ser derrotado na Colômbia, a Frente Ampla no Uruguai enfrentará um segundo turno duríssimo contra a aliança da direita contra a extrema-direita. Já na Bolívia, o TSE confirma a vitória de Evo Morales, mas a oposição não sai das ruas e contesta a lisura das eleições.

Além disso, selecionamos artigos e reportagens sobre: a execução do líder do ISIS, Al-Baghdadi; a desistência de Benjamin Netanyahu em permanecer à frente do governo de Israel; a exumação dos restos mortais do ditador Franco na Espanha; as novas derrotas de Boris Johnson no Parlamento Britânico; a vitória apertada de Justin Trudeau nas eleições canadenses.

Uma excelente leitura a todos e até a próxima semana!

NOTÍCIAS E ARTIGOS DA IMPRENSA INTERNACIONAL

Rebelião popular no Chile

PÁGINA 12 (26/10): “A maior marcha da história do Chile” (em espanhol)

Na sexta-feira, cumpriu-se o oitavo dia consecutivo de protestos a nível nacional com a maior marcha da história do Chile. O movimento não tem líderes e as demandas vão por uma vida digna e atravessam todo o tecido social. Apontam para uma mudança na estrutura: que os estudantes secundaristas não sejam estigmatizados e criminalizados, que os universitários não saiam para o mercado de trabalho com dívidas a serem pagas, em vinte ou trinta anos. Que o salário dos adultos lhes permita viver e não sobreviver. Que os avôs e avós não tenham que trabalhar porque suas aposentadorias são totalmente destinadas a pagar a compra mensal de medicamentos.

EL PAÍS (28/10): “Piñera reformula seu Gabinete com a popularidade no chão” (em espanhol)

O presidente chileno, Sebastián Piñera, concretizou nesta segunda-feira sua mudança de Gabinete, 10 dias depois da eclosão dos protestos no Chile que deixaram ao menos 20 mortos e golpearam a popularidade do mandatário, que se encontra num histórico 14%. O presidente fez trocas em oito pastas, entre elas as do Interior e da Fazenda. Com esta decisão, busca se prepara para enfrentar a maior crise política e social que vive o país desde a volta da democracia em 1990. O Partido Comunista e a Frente Ampla de esquerda buscam a saída de Piñera com a apresentação no Congresso de uma acusação constitucional, enquanto que para esta terça-feira, foi convocada uma concentração em frente ao palácio de La Moneda.

TIME (28/10): “Impressionante concentração de riquezas e serviços precários estão por trás de massivos protestos no Chile” (em inglês)

Manifestantes jovens, idosos, pobres e de classe média disseram estar unidos pela frustração com o chamado modelo neoliberal que deixou o Chile com prosperidade no topo da região, juntamente com um sistema de previdência privada amplamente criticado e sistemas de saúde e educação de dois níveis que misturam público e privado, com melhores resultados para a minoria que pode pagar, disseram os manifestantes.

Derrota do macrismo na Argentina

THE GUARDIAN (28/10): “Macri fora, enquanto Cristina Fernández de Kirchner retorna ao governo como vice-presidenta” (em inglês)

A vitória do kirchnerismo põe fim às políticas econômicas pró-negócios do governo Macri, que prometeu “pobreza zero” durante sua campanha eleitoral, mas sai do cargo com um peso vertiginoso, uma taxa de inflação que disparou para 56% ao ano e o número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza aumentou de 29% para 35%.

PÁGINA 12 (28/10): “As chaves fundamentais para ler o triunfo de Alberto Fernández“, por Mario Wainfield (em espanhol)

O justicialismo foi reagindo, o protesto social foi crescendo, economicamente seguiram acontecendo coisas… o resto é história recente… Os triunfos de Fernández e do governador eleito Axel Kicillof foram alcançados remando em doce de leite, em circunstâncias favoráveis para o justicialismo. Sem poder territoria na Nación nem na província, sem se fundar no aparaato, com escassos empresários cotizantes (em comparação com o oficialismo).

EL TIEMPO (27/10): “A esquerda é a quarta força, mas não soma deputados” (em espanhol)

O resultado não esteve à altura de suas expectativas. Embora a fórmula encabeçada por Nicolás Del Caño e Romina del Pla tenha ficado com o quarto lugar, os dados provisórios indicavam a FIT reuniria pouco mais do que 2,2% dos votos (cerca de 600 mil em todo o país) que significavam um leve retrocesso em relação ao ocorrido nas primárias quando alcançaram 2,8%.

Eleições no Uruguai

PÁGINA 12 (28/10): “Nasce uma coalizão de direita e extrema-direita para o segundo turno” (em espanhol)

Segundo a contagem oficial, Daniel Martínez, da centro-esquedista Frente Ampla, obteve 39,1% e deverá enfrentar Luis Lacalle Pou, que conseguiu 28,5% dos sufrágios. O candidato do Partido Nacional (Blanco) parte com vantagem, respaldado pelo colorado neoliberal Ernesto Talvi (obteve 12,3 por cento) e o militar aposentado Guido Manini Ríos, com 10, 8 por cento dos votos. Mas a aliança de Lacalle Pou com o líder de Cabildo Abierto é a todas as luzes repudiável. Seria como imaginar Sarkozy fazendo uma aliança com Le Pen.

INFOBAE (28/10): “O projeto ‘Vivir sin Miedo’ que propunha que os militares resguardassem as ruas não superou os 50% e não será implementado” (em espanhol)

A iniciativa alcançou 46% dos votos neste domingo e terminou sendo rechaçada. Os movimentos sociais, a negativa de todos os candidatos à Presidência de apoiar esta medida e a atuação dos militares no Chile foram algumas das razões que levaram a população uruguaia a rejeitar a adoção desta medida.

Derrota do uribismo na Colômbia

EL PAÍS (28/10): “Derrotado nas eleições locais, Iván Duque enfrenta um terremoto político” (em espanhol)

A estrepitosa derrota do Centro Democrático neste domingo nas eleições locais da Colômbia tem consequência não só para o uribismo, o movimento do ex-presidente Álvaro Uribe, fundador da formação, mas também para o atual mandatário. Iván Duque chegou à presidência em 2018, sustentado por esse partido e agora enfrenta um terremoto político. Tem que se medir com um conflito interno da organização, pelos equilíbrios com os setores mais duros da direita, e outro externo, já que terá que chegar a acordos com os novos prefeitos e governadores, que na maioria dos casos não coincidem com seu projeto.

BBC MUNDO (28/10): “Claudia López, a primeira prefeita de Bogotá: ecologista, lésbica e símbolo da luta contra a corrupção” (em espanhol)

Suas pesquisas com as quais ganhou notoriedade revelaram que foram os dirigentes políticos, e não ao revés, aqueles que ajudaram os paramilitares nas regiões nas quais operavam, numa tentativa de não perder o controle de um contexto de descentralização política e administrativa. Graças às suas publicações, dezenas de congressistas acabaram condenados por corrupção.

Resultados eleitorais na Bolívia

BBC MUNDO (26/10): “TSE confirma vitória de Evo Morales sem necessidade de segundo turno e está aberta uma auditoria sobre a recontagem” (em espanhol)

O cômputo final publicado na última sexta-feira confirma a vitória do líder do Movimiento al Socialismo (MAS) com 47,08% dos votos frente a 36,51 do opositor Carlos Mesa, da aliança Comunidad Ciudadana. Depois de denúncias de fraude e a recomendação de organismos internacionais de que se celebrasse um segundo turno de qualquer modo, o TSE disse que aceita uma auditoria sobre a recontagem de votos para sanar as dúvidas.

XINHUA (29/10): “Conflito pós-eleitoral gera bloqueios de ruas na Bolívia” (em espanhol)

Bolivianos de várias cidades iniciaram hoje outra semana de conflitos pelos resultados das eleições gerais de 20 de outubro, com o bloqueio de estradas pelos opositores e o anúncio de que camponeses próximos ao oficialismo cercariam as cidades para evitar a passagem de alimentos para as urbes. A oposição, liderada pelo candidato e ex-presidente (2003-2005) Carlos Mesa, decidiu radicalizar suas medidas de pressão, com o apoio das prefeituras e governações opositoras ao governo. Ademais, já não querem a segunda volta, mas novas eleições, e até a renúncia de Evo. Os camponeses, indígenas e produtores rurais apoiadores do governo, se declararam em emergência e anunciaram o início do bloqueio de caminhos em rechaço a um suposto golpe de Estado e em defesa do voto rural.

Rebelião popular no Haiti

FRANCE 24 (28/10): “Nova jornada de protestos antigovernamentais deixa dois mortos” (em espanhol)

A indignação sacode o país pela falta de comida e combustível, que agora ameaça deixar a ilha sem energia. As marchas se intensificaram nesta semana, apoiadas pela oposição e prometem não parar.

LA VANGUARDIA (28/10): “Multitudinário protesto no Haiti para exigir a renúncia do presidente” (em espanhol)

Estudantes, pais e professores responderam à chamada dos sindicatos de professores para exigir a saída de Moise como condição obrigatória para a reabertura das escolas, que estão fechadas desde que começaram os protestos em 16 de setembro. Esta é a segunda manifestação organizada pelos professores na capital haitiana depois da semana passada. Os médicos e profissionais da saúde planejam seguir pelo mesmo caminho e fazer uma manifestação pacífica na quarta-feira para pedir que o presidente se dimita.

Protesto na Nicarágua

EL PERIODICO (26/10): “Protestos se intensificam contra o Presidente Ortega na Nicarágua” (em espanhol)

Como ocorreu ao longo dos últimos meses, os protestos não se fizeram esperar contra o atual presidente da Nicarágua, Daniel Ortega e, apesar da forte presença policial em Managua e Tipitapa conta com centenas de uniformizados especialistas em combater criminosos perigosos, a manifestação foi levada a cabo.

Protestos no Panamá contra reformas constitucionais

O pacote de reformas constitucionais foi recebido com rechaço por setores operários e estudantis. O repúdio tem crescido graças à introdução de artigos que blindam ou beneficiam os congressistas.

Protestos em Honduras contra governo JOH

ASSOCIATED PRESS (26/10): “Protestos em Honduras pedem a renúncia de Juan Orlando Hernández” (em espanhol)

Os distúrbios ocorrem depois da condenação do irmão mais novo de Hernández por narcotráfico em Nova York, depois de um processo em que as testemunhas implicaram o próprio presidente Hernandez. Os manifestantes prometeram desobediência civil até que Hernandez renuncie e ameaçam também com uma greve nacional, embora não tenham fixado nenhuma data.

Greve dos professores em Chicago

THE NEW YORKER (26/10): “Greve dos professores em Chicago testa novo prefeito progressista” (em inglês)

A ação mais recente dos professores de Chicago ocorre após uma onda de greves de professores no ano passado, várias em estados liderados pelos republicanos, incluindo West Virginia, Arizona e Oklahoma. Houve greves no Colorado, Califórnia e Carolina do Norte, onde os professores se aglomeraram nas câmaras legislativas de Raleigh e gritaram: “Lembre-se, lembre-se, nós votamos em novembro”. Quando os educadores da Carolina do Norte se reuniram no início deste ano para definir prioridades, a primeira demanda havia bibliotecários, psicólogos, assistentes sociais e profissionais de saúde. Um denominador comum das greves era a convicção de que anos de orçamentos de austeridade haviam sido muito profundos, enfraquecendo escolas e punindo professores, funcionários e estudantes e suas famílias.

Processo de impeachment contra Trump

THE GUARDIAN (28/10): “Esta semana no processo de impeachment: testemunho-bomba e fúria de Trump” (em inglês)

Os senadores republicanos têm fugido dos repórteres que tentavam perguntar sobre depoimentos na terça-feira que avançaram na acusação central no inquérito de impeachment, de que o governo Trump reteve a ajuda militar à Ucrânia em um esforço descomunal para produzir más notícias sobre Joe Biden. Enquanto isso, a aprovação pública do inquérito de impeachment continua subindo, com 55% de aprovação e 43% de aprovação, ante 51% de aprovação uma semana antes, de acordo com uma nova pesquisa da Quinnipiac apoiada por médias de pesquisa.

Eleições no Canadá

THE GUARDIAN (22/10): “Trudeau obtém vitória estreita para formar governo minoritário” (em inglês)

Justin Trudeau ganhou um segundo mandato como primeiro-ministro do Canadá após as eleições federais do país, mas sua vitória estreita significa que ele liderará um governo minoritário que será forçado a depender de outros partidos para governar. Após sua vitória esmagadora em 2015, Trudeau se posicionou como uma força progressista no Canadá e a bordo: ele recebeu refugiados sírios quando os EUA e outros países estavam fechando suas portas e legalizou a cannabis em todo o país. Mas em um país fortemente dependente de recursos naturais, seus esforços para encontrar um equilíbrio no meio ambiente e na economia foram criticados pela direita e pela esquerda. Seu governo trouxe um imposto de carbono para combater a crise climática – mas também pagou bilhões para resgatar um projeto de gasoduto estagnado.

Rebelião independentista na Catalunha

EL DIARIO.es (26/10): “Manifestação massiva do independentismo em Barcelona para pedir a liberdade de seus líderes” (em espanhol)

350.000 personas, segundo a Guarda Urbana, participaram do protesto, convocada por ANC, Òmnium e dezenas de entidades, sob o lema “Libertad”. As famílias dos presos chamaram os manifestantes a “continuar determinados a defender as liberdades”. Torra assegurou que o independentismo irá “tão longe” como o povo da Catalunha quiser ir.

Exumação do ditador Franco

PUBLICO.es (24/10): “Franco enfim sai do Valle de los Caídos 44 anos depois de morrer” (em espanhol)

O ditador saiu da Basílica do Valle de los Caídos nos ombros de seus familiares sem honras nem bandeira da Espanha, ainda que o féretro tenha estado coberto por um estandarte com a cruz laureada de São Fernando. A múmia de Franco entrou no cemitério de Mingorrubio, onde foi sepultada junto a sua mulher, num panteão de titularidade pública.

Impasse do Brexit

THE INDEPENDENT (28/10): “UE aceita estender o prazo do Brexit“, (em inglês)

A União Europeia (UE) concordou em estender o prazo do Brexit até 31 de janeiro do próximo ano. O atraso foi solicitado por Boris Johnson depois de que os paralmentares aprovaram uma lei que o obrigava a evitar nenhum acordo até o final deste mês.

EL PAÍS (28/10): “O Parlamento rechaça a proposta de Johnson de de celebrar eleições gerais em 12 de dezembro” (em espanhol)

O Parlamento do Reino Unido não confia em Boris Johnson e nesta segunda-feira voltou a rejeitar a proposta do primeiro-ministro de celebrar eleições gerais em 12 de dezembro. Sob a Lei de Mandato Parlamentar Fixo, de 2011, eram necessários dois terços da Câmara (414 parlamentares) para que a proposta avançasse. 299 deputados votaram a favor, 70 contra. A oposição trabalhista optou por se abster.

Protestos na Argélia contra eleição presidencial

AFRICA NEWS (26/10): “Argelinos denunciam processo eleitoral de 12 de dezembro” (em inglês)

Manifestantes na Argélia denunciaram a iminente eleição presidencial de 12 de dezembro. Eles chegaram às ruas de Argel na sexta-feira, prometendo manter comícios contra a elite dominante do país.

Confrontos na Etiópia após anúncio de Prêmio Nobel da Paz

CNN (26/10): “Protestos mortais assolam a Etiópia, enquanto apoiadores e críticos do Nobel se enfrentam” (em inglês)

Pelo menos 67 pessoas foram mortas e mais de 200 ficaram feridas em protestos na Etiópia nos últimos dias, disse o comissário de polícia da região de Oromia à CNN no sábado. Dezenove pessoas foram mortas em confrontos diretos com as forças de segurança, disse Kefyalew Tefera, enquanto outras foram mortas em confrontos entre apoiadores do Primeiro Ministro e vencedor do Prêmio Nobel da Paz Abiy Ahmed e apoiadores de Jawar Mohammed, proprietário independente da mídia e crítico de destaque da mídia do premier.

Protestos na Guiné contra plano de reeleição de presidente

AL JAZEERA (24/10): “Nova manifestação na capital da Guiné contra possível proposta do 3º mandato de Alpha Conde” (em inglês)

Grandes multidões de manifestantes foram às ruas da capital da Guiné, Conakry, para protestar contra uma possível mudança constitucional que poderia permitir que o Presidente Alpha Conde buscasse um terceiro mandato. Os organizadores disseram que um milhão de pessoas participaram da marcha de quinta-feira, enquanto a polícia colocou o número em 30.000, segundo a agência de notícias AFP. A mídia local disse que havia centenas de milhares de pessoas.

Rebelião popular no Líbano

EL PAÍS (26/10): “Líbano toma as ruas para pedir a saída do governo e um adiantamento eleitoral” (em espanhol)

Dezenas de milhares de pessoas tomaram na sexta-feira pelo nono dia consecutivo o centro de Beirute ao grito de “revolução” e centenas de milhares em todo o país corearam “O povo quer que o regime se vá!”. Exigem a demissão em massa do Governo e eleições antecipadas. E pela primeira vez fazem isso unidos sob a bandeira nacional. A faísca que ameaça acaba com o sistema sectário no Líbano foi o anúncio de uma taxa para as chamadas de voz do WhatsApp.

AL JAZEERA (28/10): “Situação muito “difícil” e “delicada” para o Hezbollah” (em inglês)

O Hezbollah é uma grande força política, tendo conquistado 13 cadeiras nas eleições de maio de 2018 e assegurado três cargos no gabinete. Analistas comentaram o fato de que esses protestos foram vistos em todo o país pela primeira vez – se espalhando pelo reduto do Hezbollah no sul do Líbano, visto como a força mais poderosa do país. Enquanto manifestantes expressavam sua raiva contra o governo, Amal Saad, professor de ciências políticas da Universidade Libanesa, disse ao Al Jazeera que os libaneses nas áreas de maioria xiita também criticam o Hezbollah por não fazer o suficiente para confrontar o governo.

Rebelião popular no Iraque

AL JAZEERA (28/10): “Iraque declara toque de recolher em meio a protestos em massa contra o governo” (em inglês)

As autoridades do Iraque declararam um toque de recolher na capital, Bagdá, onde as manifestações antigovernamentais em massa continuam pelo quarto dia. Os protestos renovados ocorreram semanas depois que uma onda anterior de manifestações eclodiu como resultado da raiva generalizada contra a corrupção de alto nível, desemprego em massa e serviços públicos precários. Mais de 200 pessoas foram mortas nas manifestações deste mês em Bagdá e em várias cidades do sul.

AL JAZEERA (27/10): “Estudantes iraquianos se juntam a milhares de pessoas em protestos contra o governo” (em inglês)

Estudantes no Iraque se uniram a protestos antigovernamentais em Bagdá, enquanto milhares se mantinham firmes na praça Tahrir, na capital, desafiando uma repressão sangrenta que matou dezenas no fim de semana e um ataque noturno por forças de segurança que tentavam dispersá-las.

Desistência de Netanyahu

THE GUARDIAN (21/10): “Benjamin Netanyahu diz ao presidente israelense que não pode formar governo” (em inglês)

Benjamin Netanyahu informou ao presidente de Israel que não conseguiu formar um governo de coalizão depois que conversas com seu rival político e o ex-chefe do exército Benny Gantz fracassaram. Netanyahu, o líder mais antigo de Israel, fez o anúncio apenas dois dias antes do prazo para devolver o mandato ao presidente Reuven Rivlin, que, por sua vez, pretende atribuir a Gantz, o chefe da oposição, a tarefa de montar um novo governo.

Captura de Al-Baghdadi

CNN INTERNACIONAL (28/10): “Triunfo sobre terrorista interrompe crise de impeachment envolvendo Trump, por Stephen Collinson (em inglês)

O ousado ataque das forças especiais que matou o líder do ISIS não pode ter chegado a um momento melhor para o presidente Donald Trump, assombrado pela crise, mas ele pode ter incitado uma amarga nova guerra de território entre a Casa Branca e o Capitólio por não informar os líderes do Congresso sobre o ataque.

DW (27/10): “Morte de Abu Bakr al-Baghdadi não resolve grandes problemas“, por Carla Bleiker (em português)

Trump quer sair o mais rápido das “guerras sem fim” na região. Nesse contexto, parece tanto fazer que aliados íntimos ele vá afastar ou até mesmo perder por longo tempo. Um líder do EI morto não compensa todos os terroristas que puderam fugir da prisão, ele não tem como recuperar a confiança dos curdos abandonados pelos EUA e que perderam camaradas ou familiares na ofensiva do Exército turco.

THE INDEPENDENT (28/10): “Como o líder do Isis Abu Bakr al-Baghdadi foi morto apesar de Trump – não por causa dele“, por Kim Sengupta (em inglês)

Isso foi possível devido a uma quantidade significativa de informações transmitidas por aliados curdos na Síria que ele abandonara e executara pelos serviços militares e de inteligência dos EUA – pessoas que ele negociava regularmente.

Rebelião democrática em Hong Kong

THE GUARDIAN (27/10): “Hong Kong à beira da recessão econômica, diz governo” (em inglês)

Os protestos na ex-colônia britânica chegaram à 21ª semana. No domingo, manifestantes vestidos de preto e mascarados atearam fogo em lojas e jogaram bombas de gasolina na polícia, que respondeu com gás lacrimogêneo, canhão de água e balas de borracha.

THE GUARDIAN (27/10): “Se Pequim não se mexer, a luta por Hong Kong durará décadas“, por Louisa Lim e Ilaria Maria Sala (em inglês)

De qualquer maneira, a fórmula “um país, dois sistemas” de Pequim está em frangalhos. Todas as tentativas de intimidar os manifestantes com violência policial e prisões em massa radicalizaram o movimento. Agora, os Hong Kongers estão se preparando para uma longa luta pela frente. Ainda existem muitos números de protestos não autorizados, usando máscaras para insultar o governo e enfatizar sua impotência. À medida que as semanas passam, as questões se tornam cada vez mais intratáveis, o conflito mais arraigado e a sociedade ainda mais dividida. Se o governo não se mexer e a violência continuar aumentando, os problemas de Hong Kong podem durar décadas.

ARTIGOS E DEBATES DA ESQUERDA INTERNACIONAL

REBELIÃO POPULAR NO CHILE

VIENTO SUR (24/10): “Uma revolta popular a partir de baixo para parir um novo ciclo“, por Luis Thielemann (em espanhol)

O mito do neoliberalismo-modelo e em democracia do calmo Chile está destruído, e o duopólio governante das últimas três décadas, que cambaleava já há algum tempo, não tem capacidade de nada. Só existe violência do Estado e um economia que ainda funciona. Não é pouco. Mas os termos mudaram. 

BRECHA (25/10): “Para onde se movem as placas tectônicas?“, por Maristella Svampa (em espanhol)

É possível que estejamos ingressando num “tempo extraordinário”, no qual a liberação cognitiva das multidões e a consciência do dano movem as placas tectônicas da transição mas ciência certa, num contexto tão ralo ideologicamente, não sabemos para qual transição estamos nos dirigindo.

SIN PERMISO (28/10): “É o capitalismo, estúpido?“, por Rolando Astarita (em espanhol)

O que acontece no Chile é o resultado mais puro das tendências inerentes ao modo de produção capitalista. Assim como a repressão selvagem é consubstancial ao Estado, assim é este aparato de dominação de classe em sua função última e mais essencial.

JACOBIN MAGAZINE (28/10): “Nós faremos um novo Chile“, entrevista com Isidora Cepeda Beccar (em inglês)

O movimento de protesto do Chile não quer pequenas concessões. Ele quer derrubar todo o legado do neoliberalismo e da ditadura de Pinochet.

PROTESTOS PELA LIBERDADE DOS LÍDERES INDEPENDENTISTAS NA CATALUNHA

VIENTO SUR (28/10): “A revolução se produz agora na Catalunha“, entrevista com Arnaldo Otegi (em espanhol)

O efeito das barricadas na Catalunha dá origem a três reflexões. Em primeiro lugar, há um setor de jovens que se sentem profundamente atacados e que acreditam que devem se defender contra as agressões do Estado. Estes são os jovens que, aos catorze ou quinze anos de idade, viram os seus pais e avós serem espancados. Segundo: as barricadas colocam o foco internacional na Catalunha. O mundo compreende uma vez mais que na Catalunha existe um conflito que parecia ter desaparecido. E em terceiro lugar: o debate político está a ser transmitido à polícia, o que poderá reforçar as posições unionistas. Durante muitos anos fizeram-no no País Basco e funcionou para eles.

JACOBIN MAGAZINE (24/10): ” ‘Tsunami Democrático’ da Catalunha“, por Eoghan Gilmartin e Tommy Greene (em inglês)

Os confrontos em Barcelona refletem intensa raiva popular pela prisão dos líderes catalães. Desde o controverso referendo de 2017, o conflito parece cada vez mais intratável – e, à medida que os protestos se tornam mais militantes, os partidos pró-independência estão perdendo o controle dos eventos.

PRIMAVERA LIBANESA

VIENTO SUR (24/10): “Uma revolta que já não se esperava contra um edifício comido por traças“, por Doha Chams (em espanhol)

Isto é equivalente a uma vontade de derrubar o regime e assemelha-se a uma batalha existencial. Aqueles que o afirmam sabem que não é fácil de levar a cabo, mas parecem determinados a levá-lo a cabo. Os líderes, por seu lado, estão determinados a prolongar a vida do regime, ainda que à custa da vida dos cidadãos, um quarto dos quais vive miseravelmente abaixo do limiar da pobreza.

MEDIAPART (24/10): “Uma mobilização histórica do povo contra o governo“, por Justine Babin e Nada Maucourant Atallah (em francês)

Anos de estagnação econômica e imobilismo político contribuíram para alimentar essa exasperação popular. Desde o início do conflito sírio em 2011, o país tem registado um fraco crescimento. Em 2018, não ultrapassou 0,2%, contra quase 9% antes do início do conflito. A guerra resultou principalmente na chegada ao Líbano de mais de um milhão de refugiados e no encerramento de parte das rotas terrestres para os seus parceiros comerciais regionais.

REBELIÃO DEMOCRÁTICA DE HONG KONG

PORTAL DA ESQUERDA EM MOVIMENTO (26/10): “A esquerda internacional deve apoiar Hong Kong“, por Bureau da IV Internacional (em inglês)

 Hong Kong, com seu legado colonial, para o bem ou para o mal, tornou-se um espinho doloroso na carne do dragão. O dragão já está com uma saúde cada vez mais ruim. A morte desta fera nas mãos do movimento social progressivo é crucial para a futura transformação democrática da China. Essa também se tornou uma das questões mais importantes do século XXI.

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