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Nesta edição do Clipping Semanal do Observatório Internacional, destacamos como principais assuntos dos últimos dias: a aprovação do processo de impeachment contra Trump na Câmara de Deputados, o relatório que incrimina os “capacetes azuis” no Haiti por abusos sexuais contra milhares de haitianas, a ordem de prisão contra Evo Morales, o pedido da ONU para que a Justiça chilena indicie as forças de repressão pela brutalidade contra os manifestantes, a continuidade dos protestos na França contra a Reforma da Previdência, a decisão do Corte Suprema holandesa de obrigar o Governo a cortar emissões de CO, a condenação à morte de ex-líder paquistanês por tentativa de golpe, os protestos nas universidades indianas contra lei discriminatória contra muçulmanos, o acordo militar entre Líbia e Turquia, os sangrentos protestos na Guiné contra regime autoritário.

NOTÍCIAS E ARTIGOS DA IMPRENSA INTERNACIONAL

Denúncia contra tropas ocupantes no Haiti

INFOBAE (18/12): “Acusam os capacetes azuis da ONU de abusar sexualmente de centenas de mulheres e crianças durante a missão de paz“, (em espanhol)

O estudo foi publicado terça-feira no The Conversation, um site acadêmico financiado por um consórcio de universidades. Preparado por dois professores universitários britânicos, o documento é o resultado de entrevistas com 2.500 haitianos que moram perto das bases da ONU em 2017, o último ano da missão que começou em 2004. Eles fizeram uma pergunta: Como é ser um mulher ou menina que vive em uma comunidade que hospeda uma missão de paz?

Processo de impeachment de Trump

CNN (18/12): “Câmara de Deputados aprova impeachment de Donald Trump” (em inglês)

A Câmara votou em 230-197 para acusar Trump de abuso de poder e 229-198 para acusá-lo de obstrução do Congresso. Os votos foram divididos em grande parte por linhas partidárias: apenas dois democratas votaram contra os dois artigos, os representantes Collin Peterson, de Minnesota, e Jeff Van Drew, de Nova Jersey, que deverá mudar de partido em breve. Um terceiro, o deputado Jared Golden, do Maine, votou em um artigo de impeachment. O deputado democrata Tulsi Gabbard, do Havaí, que está concorrendo à indicação presidencial democrata, votou presente nos dois artigos.

REUTERS (19/12): “Menos da metade dos norte-americanos quer remoção de Trump após impeachment, diz Reuters/Ipsos” (em inglês)

Menos da metade de todos os americanos diz que o presidente Donald Trump deve ser demitido após seu impeachment pela Câmara dos Deputados dos EUA, de acordo com uma pesquisa de opinião da Reuters / Ipsos divulgada na quinta-feira, apresentando um desafio para os democratas que buscarão sua destituição no Senado.

Queda de responsável pela Reforma da Previdência na França

THE GUARDIAN (16/12): “Chefe da Previdência da França renuncia por escândalo por pagamentos não declarados” (em inglês)

A autoridade francesa que liderou uma polêmica reforma das aposentadorias deixou o cargo na segunda-feira devido a um escândalo envolvendo pagamentos não declarados, no 12º dia de uma paralisação de transporte contra a proposta, prejudicando os planos de férias de milhares de pessoas.

Decisão ambiental histórica do Judiciário holandês

EL PAÍS (20/12): “O Supremo holandês obriga o Governo a reduzir as emissões de CO2 numa sentença histórica“, (em espanhol)

A Suprema Corte holandesa ordenou ao governo a redução dos gases de efeito estufa, porque considera que “deve proteger o cidadão da deterioração do meio ambiente, e a luta contra as mudanças climáticas é uma questão de interesse geral”. O caso é uma vitória histórica para a Urgenda, uma pequena ONG ambiental que em 2015 estabeleceu um precedente mundial ao fazer com que os juízes exigissem que o Executivo reduzisse, até 2020, 25% das emissões de CO2 em comparação com 1990.

Ordem de prisão contra Evo

FRANCE24 (18/12): “Procuradoria boliviana emite ordem de prisão contra Evo, asilado na Argentina” (em espanhol)

O ex-presidente Evo Morales foi acusado pelo promotor boliviano de “sedição, terrorismo e financiamento do terrorismo”. Uma medida que vem após a onda de violência pós-eleitoral em 20 de outubro. O líder indígena disse que o mandado de prisão é “injusto e inconstitucional”.

Violência da polícia chilena

REUTERS (13/12): “ONU pede indiciamento de polícia e exército por repressão a protestos” (em inglês)

A polícia e os soldados chilenos responderam aos recentes protestos em massa de “maneira fundamentalmente repressiva”, cometendo graves violações dos direitos humanos – incluindo assassinatos e torturas ilegais – que deveriam ser processados, concluíram os investigadores da ONU.

Protestos na Índia

THE GUARDIAN (17/12): “Protestos na Índia: estudantes condenam polícia ‘bárbara’” (em inglês)

Estudantes em Délhi condenaram seu tratamento “bárbaro” pelas mãos da polícia que protestou pacificamente contra a nova lei de cidadania no fim de semana, ferindo dezenas. Falando em uma entrevista coletiva na terça-feira, estudantes que foram pegos no protesto de domingo na Universidade Jamia Millia Islamia, em Déli, predominantemente muçulmana – que ficou violenta depois que a polícia desceu no campus disparando gás lacrimogêneo e balas de borracha e espancando manifestantes com cassetetes – disse que se transformou em um “campo de batalha”.

Condenação à morte de ex-presidente do Paquistão

BBC (18/12): “Ex-líder do Paquistão condenado à morte por traição“, (em inglês)

Um tribunal paquistanês condenou o ex-governante militar Pervez Musharraf à morte à revelia por traição por causa da imposição do regime de emergência em 2007. Tal veredicto é o primeiro em um país com uma história de domínio do exército. Os militares reagiram com raiva, dizendo que o processo legal “parece ter sido ignorado”. O general tomou o poder em um golpe de 1999 e foi presidente de 2001 a 2008.

Acordo entre governo líbio e Turquia

THE GUARDIAN (20/12): “Governo líbio ativa acordo de cooperação com a Turquia” (em inglês)

O governo líbio reconhecido pela ONU concordou em ativar um acordo de cooperação militar com a Turquia, aproximando o possível envio de tropas consultivas turcas para ajudar a defender a capital, Trípoli, de um ataque de forças apoiadas pelos Emirados Árabes Unidos e pela Rússia.

Protestos na Guiné

THE GUARDIAN (17/12): “Protestos na Guiné ficam sangrentos em luta para impedir o terceiro mandato do presidente” (em inglês)

O presidente da Guiné, Alpha Condé, está no poder desde as primeiras eleições democráticas do país em 2010, vencendo um segundo mandato de cinco anos há quatro anos. Sob a constituição, um presidente pode servir dois mandatos de cinco anos. Mas antes da eleição do próximo ano, oficiais do governo e aliados de Condé têm dado dicas de emendas à constituição ou redigido uma nova para deixá-lo de pé novamente.

ARTIGOS E DEBATES DA ESQUERDA INTERNACIONAL

Argélia

EL WATAN (16/02): “Novos desafios para o Hirak“, por Mustapha Benfodil (em francês)

Embora as eleições de 12 de dezembro tenham desestabilizado algumas pessoas e aliviado outras, elas não diminuíram a determinação de milhões de pessoas na Argélia em continuar a mobilização. Lembre-se que dos 24 milhões de pessoas registradas, mais de 15 milhões não votaram. Resta saber quais serão os slogans, as músicas, das próximas ondas de rejeição.

MIDDLE EAST EYE (16/12): “Ira e burla nas ruas depois da eleição de Abdelmadjid Tebun“, por Daikha Dridi (em francês)

Nesse ambiente, Abdelmadjid Tebún, o recém-eleito presidente argelino com um resultado oficial de 58,15% no primeiro turno (e a menor taxa de participação histórica já registrada), realizou ontem à tarde a primeira conferência como Chefe de Estado, que começou agradecendo pessoalmente ao Chefe do Estado Maior do exército.

Colômbia

VIENTO SUR (18/12): “Uma explosão social sem precedentes: balanço e desafios“, por Daniel Libreros Caicedo (em espanhol)

As assembléias de bairro podem se tornar expressões superiores da democracia se conseguirem centralizar e articular com movimentos nacionais que resistem às políticas do estado. Essa aposta dependerá obviamente da continuidade do desemprego nas primeiras semanas do próximo ano, o que nas circunstâncias atuais parece possível e os desafios que o confronto com o governo coloca ao movimento. A alternativa política permanecerá em disputa, embora agora em um novo contexto. É urgente uma coordenação unitária daqueles que estão convencidos da necessidade de preservar uma estratégia anticapitalista.

China

FPIF (06/12): “As fortalezas do capitalismo chinês“, por Walden Bello (em inglês)

Liberalização, privatização acompanhadas de uma intervenção estratégica em setores-chave, industrialização orientada para a exportação, juntamente com a gestão da moeda pelo Estado, além de autoritarismo descentralizado, esses foram os ingredientes do chamado milagre chinês. Eles também são os fatores que geraram os problemas que a economia enfrenta agora.

Reino Unido

VIENTO SUR (20/12): “E agora, a “Reação”: em defesa de Corbyn”, por Thierry Labica (em espanhol)

A derrota do Partido Trabalhista em 12 de dezembro é grave. Os incondicionais do Remain [contra o Brexit] dentro do Trabalho tem uma enorme responsabilidade nele. Acima de tudo, essa derrota é deles por terem imposto a opção de um novo referendo e, além disso, terem se comprometido com o Remain sem sequer esperar pela versão trabalhista de um acordo sobre o Brexit para se pronunciar sobre ele.

JACOBIN (14/12): “Ninguém disse que seria fácil“, por Ronan Burtershaw (em inglês)

Depois de décadas de neoliberalismo, não é estranho que isso tenha acontecido, mas, dada a magnitude da derrota, temos que nos perguntar seriamente por que não conseguimos mudá-la. As respostas estão no fato de que simplesmente não estávamos presentes em muitos lugares, em muitas vidas da classe trabalhadora, bem como no fato de que o corbynismo não coincidiu com um aumento na luta de classes, que poderia ter arrastado mais pessoas nossas do nosso lado.

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