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Nesta edição semanal do Clipping do Observatório Internacional, selecionamos como destaques na imprensa mundial os seguintes temas: a confusão no caucus de Iowa e o início vitiorioso da campanha de Bernie Sanders; a absolvição de Trump no Senado; o afunilamento da campanha eleitoral na Bolívia pós-golpe; o aumento da desigualdade social na América Latina; o avanço do extrativismo predatório no sul da Venezuela; o processo do Brexit; a formação de um governo entre liberais e a extrema-direita na Turíngia; o congelamento de aluguéis em Berlim; o plano de Trump para a Palestina; a intensificação dos conflitos em Idlib; os protestos no Iraque contra o novo primeiro-ministro do Iraque; o processo de paz tumultuado na Líbia; as repercussões políticas na China da crise do coronavírus.

NOTÍCIAS E ARTIGOS DA IMPRENSA INTERNACIONAL

Primárias democratas

THE NEW YORK TIMES (07/02): “Buttigieg supera Sanders nos delegados de Iowa, 13-12. Então, quem ganhou?” (em inglês)

O ex-prefeito Pete Buttigieg de South Bend, Indiana, recebeu 13 delegados prometidos dos caucuses malignos de Iowa e o senador Bernie Sanders, de Vermont, ganhou 12, disse a Associated Press na sexta-feira. A A.P. anunciou quinta-feira à tarde que não declararia um vencedor no primeiro concurso do país em Iowa, mas a alocação fornece nova clareza sobre o acúmulo de delegados necessários para ganhar a indicação presidencial democrata.

THE GUARDIAN (05/02): “O DNC não pode roubar a eleição de Bernie Sanders, apesar do caos de Iowa” (em inglês)

Foram 24 horas confusas, para dizer o mínimo. O caucus de Iowa parecia correr bem, mas um fiasco de computação atrasou os resultados oficiais. Ainda estamos esperando por eles. O problema, em parte, estava enraizado em um aplicativo “Shadow Inc” usado para ajudar a contabilizar os votos. O aplicativo havia recebido atenção nas semanas anteriores ao caucus, com especialistas preocupados com a possibilidade de ser vulnerável a hackers.

NEWSWEEK (06/02): “Maioria dos eleitores democratas ‘mais propensos’ a votar em Bernie Sanders após caucuses de Iowa: nova pesquisa” (em inglês)

52% dos entrevistados da pesquisa da Morning Consult, divulgada na quinta-feira, disseram estar mais inclinados a apoiar Sanders para a indicação ao Democrata após os caos de Iowa na segunda-feira. Desses, 29% disseram que eram “muito mais prováveis”, enquanto 23% disseram que eram “um pouco mais prováveis”.

Absolvição de Trump no Senado

CNN (05/02): “Trump absolvido no final de um longo processo de impeachment, considerado inocente de dois artigos” (em inglês)

O Senado votou na absolvição do presidente Donald Trump em dois artigos de impeachment na quarta-feira, marcando o final inevitável e histórico de um julgamento de impeachment amargamente travado e divisivo que repercutirá nas eleições de 2020 e moldará o legado presidencial de Trump. Mas o último dia do julgamento do impeachment do Senado não foi sem suspense: o senador Mitt Romney, republicano de Utah, considerou o presidente culpado de abuso de poder, tornando-se o primeiro senador na história dos EUA a votar para remover do cargo um presidente do mesmo festa.

Eleições bolivianas

INFOBAE (04/02): “Evo Morales será candidato a senador nas próximas eleições na Bolívia” (em espanhol)

Morales encabeça a candidatura de seu partido à Câmara de Senadores pela região boliviana de Cochabamba, onde começou sua carreira política como deputado em 1997, numa lista que ainda deve ser habilitada pelo Tribunal Supremo Eleitoral da Bolívia.

PAGINA 12 (02/02): “Luis Arce: ‘Nós temos um apoio popular muito grande‘” (em espanhol)

Em 3 de fevereiro, será inscrita a fórmula do MAS junto ao ex-chanceler David Choquehuanca e começará a viver o processo eleitoral que culminará em 3 de maio com o pleito nacional. Num diálogo telefônico com o Página 12, Luis Arce deu definições precisas sobre todos os temas que terá pela frente.

Desigualdade social na América Latina

BBC MUNDO (06/02): “Por que a América Latina é ‘a região mais desigual do planeta” (em espanhol)

Trata-se da região do mundo que registra maior desigualdade no informe sobre desenvolvimento humano 2019 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), divulgado em dezembro. Os 10% mais ricos na América Latina concentra uma porção das rendas maiores que em qualquer região (37%), indicou o informe. E vice-versa: os 40% mais pobres recebem a menor parcela (13%).

Mineração na Venezuela

EL PAÍS (04/02): “Os sindicatos do ouro fazem sangrar o sul da Venezuela” (em espanhol)

Human Rights Watch denuncia a violência e o controle que exercem grupos delitivos no sul do país para a extração ilegal de minerais. Amputações, desaparições, contrabando e presença de guerrilha colombiana são parte do relatório.

Brexit

THE GUARDIAN (01/02): “O Brexit, a ambição masoquista mais sem sentido da história de nosso país, está feito“, por Ian McEwan (em inglês)

Está feito. Num triunfo da negociação obstinada até maio, Johnson, brevemente, cumpriu a ambição masoquista mais sem sentido que jamais sonhou na história dessas ilhas. O resto do mundo, exceto os presidentes Putin e Trump, assistiram com espanto e consternação. A maioria votou em dezembro nos partidos que apoiaram um segundo referendo. Mas essas partes falharam lamentavelmente em fazer uma causa comum. Devemos arrumar nossas tendas, talvez ao som dos sinos da igreja, e esperar começar a marcha de 15 anos, voltando a uma aparência de onde estávamos ontem com nossos vários acordos comerciais, segurança, saúde e cooperação científica e uma milhares de outras disposições úteis.

Polarização política na Alemanha

THE GUARDIAN (05/02): “Indignação com votos de centro-direita alemães com AfD para derrubar primeiro-ministro da Turíngia” (em inglês)

A CDU de Angela Merkel convocou novas eleições na Turíngia, depois que políticos de centro-direita do estado alemão oriental usaram votos da nativista Alternative für Deutschland para remover seu premier de esquerda, desafiando a recusa do partido nacional de trabalhar com a extrema direita. As eleições estaduais de outubro haviam deixado o primeiro-ministro Bodo Ramelow, do Die Linke, como candidato com o mandato mais forte, mas sem maioria absoluta, mesmo em uma coalizão com os social-democratas de centro-esquerda e o Partido Verde.

EL PAÍS (05/02): “Algo se rompeu na Alemanha” (em espanhol)

Eu não sabia que na Alemanha, e contra todas as probabilidades, a extrema direita teria a chance de dar um golpe, de quebrar um tabu inabalável desde o final da Segunda Guerra Mundial. Pela primeira vez, o chefe de um governo regional conseguiu ser nomeado graças à cooperação da extrema direita e de outros partidos políticos. Os liberais do FDP e os democratas da CDU romperam com um consenso de décadas.

Congelamento de aluguéis em Berlim

WALL STREET JOURNAL (30/01): “Berlim declara guerra à elevação de aluguéis” (em inglês)

Os aluguéis residenciais nos bairros mais desejáveis da cidade podem cair pela metade sob uma lei aprovada pela legislatura da capital alemã na quinta-feira, em um dos esforços mais abrangentes da capital ocidental para impedir que moradores da classe trabalhadora e de baixa renda sejam espremidos para fora dos centros das cidades.

Questão palestina

FRANCE 24 (01/02): “Líder palestino Mahmoud Abbas suspende relações com os EUA e Israel” (em inglês)

A Autoridade Palestina cortou todos os laços com os Estados Unidos e Israel, incluindo aqueles relacionados à segurança, depois de rejeitar um plano de paz no Oriente Médio apresentado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, disse o presidente palestino Mahmoud Abbas no sábado.

EL PAÍS (05/02): “EU toma distância do plano de paz de Trump para o Oriente Médio” (em espanhol)

A Europa disse não a Donald Trump. O plano de paz do presidente dos EUA não encaixa com os parâmetros aceitos internacionalmente para por fim ao conflito entre Israel e Palestina, segundo assegurou nesta terça-feira o alto representante para a Política Exterior e a Segurança Comum da UE, Josep Borrel, num comunicado. A UE expressa, além disso, sua preocupação pelas intenções de Israel de prosseguir com as anexações de território no vale do Jordão e nos assentamentos da Cisjordânia. E adverte que, ao se consumar esses movimentos, “não passarão sem ser contestados”.

Guerra na Síria

THE GUARDIAN (03/02): “Soldados turcos mortos enquanto aumenta a batalha pelo controle de Idlib” (em inglês)

Oito militares turcos e pelo menos 13 soldados do governo sírio foram mortos quando os dois lados trocaram tiros na província de Idlib, na Síria, em uma escalada significativa na batalha para controlar o último reduto da oposição do país. A Turquia enviou um grande comboio militar através de sua fronteira sul para Idlib durante a noite, em um esforço para garantir sua fronteira e conter o derramamento de sangue causado por um ataque feroz ao regime na área realizada com a ajuda do poder aéreo russo.

Novo primeiro-ministro do Iraque

REUTERS (01/02): “Novo primeiro-ministro do Iraque apela às massas, mas é rejeitado por manifestantes“, por John Davidson e Aziz El Yaakoubi (em inglês)

O novo primeiro-ministro Mohammed Tawfiq Allawi apelou aos iraquianos por seu apoio no sábado após sua nomeação pelo presidente Barham Salih, mas os manifestantes já estavam rejeitando o chefe de governo como um pateta da elite política. Em Bagdá e cidades do sul, manifestantes que acamparam durante meses exigindo a remoção da classe dominante do Iraque – e conseguiram derrubar o primeiro-ministro cessante – gritaram “rejeitamos Allawi” e seguravam cartazes em seu rosto com uma cruz vermelha.

Processo de paz na Líbia

THE GUARDIAN (02/02): “O derramamento de sangue da Líbia continuará, a menos que as potências estrangeiras parem de apoiar Khalifa Haftar“, por Frederic Wehrey (em inglês)

O apoio dos Emirados, da Rússia e dos EUA está fortalecendo o homem militar e piorando o sofrimento dos líbios. Enquanto isso, são os líbios que sofrem: pelo medo constante de bombardeios ou ataques aéreos, blecautes de 16 horas e a sensação de que seus destinos estão sendo decididos no exterior. “A Líbia é como um bolo”, disse-me o prefeito de Yefren, uma cidade nas montanhas ocidentais da Líbia no mês passado. “Todo mundo quer algo.”

Crise do coronavírus na China

BBC MUNDO (04/02): “Coronavírus na China: como a gestão da epidemia pode afetar o governo do todo-poderoso Xi Jinping” (em espanhol)

(…) A frustração e pânico entre a população puseram xeque as medidas para ‘a manutenção da estabilidade” das autoridades, até o ponto de que nem a maquinaria estatal pôde frearem sua totalidade as opiniões adversas. Uma das consequências desta enorme crise de saúde pública é a brecha clara que se criou entre o governo e a sociedade, colocando um grande desafio ao férreo regime chinês.

ARTIGOS E DEBATES DA ESQUERDA MUNDIAL

Caucus de Iowa

JACOBIN MAGAZINE (07/02): “Bernie conseguiu a maior parte dos votos de Iowa, o que significa que ele ganhou“, por Ben Burgis (em inglês)

Não importa o quanto os jornalistas centristas e os formadores de opinião possam querer ofuscá-lo, os resultados foram claros. Diga comigo: Bernie venceu.

DEMOCRACY NOW (06/02): “O fiasco de Iowa compromete fatalmente um experimento fracassado de 50 anos”, por Amy Goodman e Denis Moynihan (em inglês)

Os caucus de Iowa são monumentalmente importantes na seleção de candidatos à presidência nos Estados Unidos. A pergunta que devemos fazer é: por quê? Até o momento, apenas resultados parciais foram divulgados até agora pelo Partido Democrata de Iowa. A maior parte da culpa recai sobre o Partido Democrata de Iowa e uma empresa de software chamada Shadow. Shadow criou o aplicativo desastroso que falhou em fornecer os prometidos resultados instantâneos do caucus.

Extrema-direita na Alemanha

JACOBIN MAGAZINE (06/02): “Quando os liberais alemães se uniram à extrema direita“, por Loren Balhorn (em inglês)

Desde 1945, os partidos parlamentares da Alemanha recusaram todas as alianças com a extrema direita. Isso mudou ontem na Turíngia, quando liberais e democratas-cristãos se uniram a neofascistas para expulsar a esquerda do cargo.

Brexit

SIN PERMISO (02/02): “Brexit: o longo adeus”, por Tom Jones (em espanhol)

O que vem imediatamente depois é mais do mesmo: mais incerteza do Brexit conforme começa a próxima contagem regressiva, até o final do período de transição.

SIN PERMISO (02/02): “Com o Brexit, a UE se faz desmontável”, por Ludovic Lamant (em espanhol)

Como se pode medir este risco de propagação do Brexit a outros países? Parte da resposta na capacidade da Europa para responder aos desafios que coloca a vitória do Brexit.

Disputa hegemônica entre EUA e China

VIENTO SUR (04/02): “Aonde nos pode levar o conflito?, por Pierre Rousset (em espanhol)

Atualmente, Estados e China são as duas únicas potências mundiais que se enfrentam a escala mundial. E à medida que o conflito se agrava, emergem uma tendência: a divisão em duas tendências com ambições hegemônicas em concorrência.

Plano de Trump para a Palestina

REBELION.ORG (04/02): “Um plano desenhado sob medida para Tel Aviv“, por Johnathan Cook (em espanhol)

O há muito anunciado “acordo do século” de Donald Trump não foi, em grande parte, nenhuma surpresa. Nos últimos 18 meses, algumas autoridades israelenses vazaram muitos de seus detalhes. A chamada “visão para a paz” revelada na terça-feira apenas confirmou que o governo dos EUA adotou por conta própria e de maneira pública o que em Israel já é um consenso estabelecido: que esse país tem o direito de preservar permanentemente os territórios daqueles que apreenderam ilegalmente nos últimos 50 anos e cuja apropriação nega aos palestinos qualquer esperança de um Estado.

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