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Durante dois dias de debate, mais de 50 participantes de 19 países diferentes se reuniram virtualmente para debater a partir dos temas: “a questão das vidas negras e a luta LGBTIQ”; e “como a Covid-19 impacta particularmente na comunidade LGBTIQ – aprendendo lições na campanha contra a AIDS”. O primeiro seminário da IV aconteceu em 1998, e esta foi a primeira vez que a nossa corrente (MES/PSOL) participou desse espaço.

Foi um espaço bastante diverso, com militantes antigos até uma geração mais jovem que vem se levantando no mundo especialmente na última década. Uma expressão forte de mulheres e de representações do Sul Global, a partir de Brasil, México, Argentina, Porto Rico, Índia e Filipinas, que enriqueceu o debate e mostrou o papel que a IV tem na organização da luta LGBTIQ em países importantes.

Esse encontro se deu nos marcos de um avanço da extrema-direita em muitos países, e que aproveitam o momento da pandemia para ampliar a vigilância e o autoritarismo, utilizando do discurso da família “tradicional” e do ataque às liberdades democráticas para coesionar uma base religiosa. Ao mesmo tempo, porém, refletiu as lutas nos EUA a partir de Vidas Negras Importam, nas quais as LGBTIQs têm sido linha de frente, bem como protagonistas do movimento Vidas Trans Negras Importam, impactando não apenas o país mas o mundo todo.

A mudança na luta de classes, com o levante da negritude, tem provocado cada vez mais um deslocamento para posições anticapitalistas e antissistêmicas dessa nova geração LGBTIQ que é um sujeito social não só de suas lutas específicas, mas da luta social como um todo. As LGBTIQs, bem como as mulheres cis, são relegadas aos trabalhos de reprodução social, mais precarizados, e sentem a crise social com maior intensidade, especialmente as negras e os negros e as pessoas trans e travestis. Isso faz com que sejam empurradas também para a luta social em um momento de degradação da vida. No Brasil, se unem as lutas das LGBTIQs com a dos profissionais da saúde, das torcidas organizadas e dos entregadores dos aplicativos, para enfrentar o genocídio, a guerra social e o governo de Bolsonaro.

O seminário apontou para a necessidade de avançar no enfrentamento a essa extrema-direita a partir da auto-organização dos povos explorados e oprimidos e na construção de ações de solidariedade ativa, como temos visto muito durante o período da pandemia, que construam uma nova socialização para pessoas LGBTs e apontem para a construção de uma sociedade socialista capaz de superar a violência e a marginalização produzidas pelo capitalismo e pela LGBTIQfobia.  

Sara Azevedo e Bruno Zaidan são militantes LGBTIQ do MES/PSOL.

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