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Nesta edição do Clipping do Observatório Internacional, destacamos como principais assuntos da política mundial: os protestos “Black Lives Matter” em Portland que já somam mais de 60 dias; a escalada de tensões diplomáticas entre EUA e China, após o fechamento do consulado chinês em Houston; a pactuação de um acordo entre as nações europeias para um orçamento comum dos próximos anos e o programa de reconstrução econômica pós-pandemia; a demissão do diretor do último grande veículo independente da Hungria; a perseguição aos opositores de Lukashenko na Bielorrússia; a disputa entre Turquia e Grécia pela posse de jazidas de hidrocarbonetos no Mediterrâneo Oriental; os fortes protestos em Israel contra Netanyahu; os sinais preocupantes de uma nova guerra na Líbia, com a intervenção da Turquia e do Egito; os novos capítulos da crise política na Tunísia que obrigou a renúncia do primeiro-ministro Fajfaj; a detenção arbitrária de um jornalista que denunciava casos de corrupção do governo do Zimbábue; o anúncio de uma reforma da Previdência pelo governo de Lopez Obrador, visando ao aumento de 40% das aposentadorias; as novas derrotas legislativas do governo Piñera; o adiamento das eleições presidenciais na Bolívia de setembro para outubro; a tentativa de proscrever o correísmo no Equador para as eleições gerais de fevereiro do ano que vem; os protestos sociais no Peru; as mais robustas manifestações estudantis na Tailândia desde o golpe militar de 2014, em virtude da má gestão da crise pandêmica.

NOTÍCIAS E ARTIGOS DA IMPRENSA INTERNACIONAL

Black Lives Matter em Portland

NY TIMES (22/07): “Como uma das cidades mais brancas da América tornou-se o epicentro dos protestos do BLM” (em inglês)

Durante 56 noites seguidas de protestos aqui, multidões de manifestantes em grande parte brancos levantaram os punhos no ar e gritaram: “Isso não é um motim, é uma revolução”. Eles jogaram garrafas de água no tribunal federal, tentaram arrancar o guarda que protege a entrada e se envolveram em batalhas com policiais através de nuvens de gás lacrimogêneo. Nas últimas noites, o número de manifestantes aumentou para milhares.

EL PAÍS (23/07): “Trump recrudesce sua ofensiva de lei e ordem nas cidades democratas” (em espanhol)

Portland amanheceu nesta quinta-feira sob uma nuvem tóxica. A fumaça dos foguetes acesos nos arredores do Tribunal Federal se mesclava com os gases lançados pelos agentes federais aos manifestantes. A cidade mais povoada de Oregon leva 55 dias de protestos depois da morte do afro-americano George Floyd nas mãos da polícia. Donald Trump enviou as forças de segurança para proteger os monumentos. Mas a violência segue numa crescente. Num passo a mais de sua aposta pela lei e a ordem, o presidente dos EUA anunciou que destinará centenas de agentes federais a mais cidades democratas. O inspetor-geral do Departamento de Justiça, Michael Horowitz, anunciou nesta tarde que será iniciada uma pesquisa sobre o uso da força dos agentes federais em Portland e Washington.  

Tensões entre China e EUA

NY TIMES (23/07): “Como a Guerra Fria entre EUA e China está se intensificando” (em inglês)

As tensões entre a China e os Estados Unidos atingiram os níveis mais agudos desde que os países normalizaram as relações diplomáticas há mais de quatro décadas, com o governo americano ordenando que a China feche seu consulado em Houston sendo apenas o exemplo mais recente.

EL PAÍS (22/07): “Estados Unidos eleva o enfrentamento com a China: ‘O mundo livre deve triunfar sobre esta nova tirania’” (em espanhol)

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, transmitiu aos americanos e ao mundo na quinta-feira os termos atuais de um confronto retórico com a China, que será o legado diplomático do governo Donald Trump. Em um discurso que soou como o germe de uma nova guerra fria, Pompeo falou da China como uma ameaça existencial à economia, liberdade e democracia no mundo e exortou os países ocidentais a enfrentar Pequim.

THE GUARDIAN (24/07): “China ordena fechamento de consulado dos EUA em Chengdu, enquanto tensões aumentam” (em inglês)

Pequim ordenou o fechamento de um consulado dos EUA no sudoeste da China, em uma medida que eleva as tensões entre os dois países a um novo nível. Na sexta-feira, o Ministério das Relações Exteriores da China disse que havia ordenado que o consulado dos EUA em Chengdu, na província de Sichuan, interrompesse todas as operações. As autoridades notificaram a decisão dos EUA da China de revogar seu consentimento para o consulado operar, de acordo com um aviso no site do ministério. Descrevendo a medida como uma “resposta legítima e necessária” às ações dos EUA, que no início desta semana deram ao consulado chinês em Houston, Texas, 72 horas para fechar, Pequim pediu a Washington que reverta sua decisão. As autoridades chinesas disseram na sexta-feira que a missão em Houston ainda estava em operação.
 

Acordo da União Europeia

EL MUNDO (21/07): “O líderes da UE fecham um acordo histórico com 390 milhões em transferências diretas” (em espanhol)

Custou mais de 90 horas consecutivas de reuniões, centenas de encontros bilaterais e um bom número de desgostos, mas na madrugada da segunda-feira à terça-feira, às 5:30 e com o sol despontando em Bruxelas, os chefes de Estado e de Governo dos 27 conseguiram um acordo essencial para fechar o Orçamento da União até 2027 e o Fundo de Recuperação depois da pandemia. Um passo sem precedentes, um mecanismo inédito de até 750 bilhões de euros para ajudar os países mais afetados, incluindo até 390 bilhões de euros em transferências diretas.

THE GUARDIAN (22/07): “Com seu acordo de recuperação, a UE está finalmente começando a agir como uma força unificadora?“, por Shahin Valee (em inglês)

Demorou muito tempo, mas a crise do coronavírus parece ter permitido que a Europa desse um salto em direção à integração genuína. A crise financeira global em 2008 expôs as fragilidades inerentes e a incompletude da união monetária da Europa, provocando uma década de agonizante debate sobre a união fiscal. Essencialmente, compartilhar uma moeda comum sem compartilhar um orçamento real sempre seria instável e potencialmente perigoso.

Ataque à liberdade de imprensa na Hungria

LA VANGUARDIA (24/07): “Demitido o diretor do último grande veículo independente da Hungria” (em espanhol)

O diretor do site de notícias independente mais importante da Hungria, Index.hu, foi demitido na última quarta-feira, um mês depois de alertar que a liberdade editorial do meio corria perigo depois que um empresário próximo ao Governo de Viktor Orban adquiriu um controle significativo sobre seu financiamento.

Perseguição à oposição na Bielorrússia

WASHINGTON POST (23/07): “Lukashenko, da Bielorrússia, prendeu rivais eleitorais e zombou das mulheres como impróprias para liderar. Agora, uma está liderando a oposição

O presidente Alexander Lukashenko tinha três principais rivais nas eleições presidenciais do próximo mês. Dois foram presos. O outro teve negado o registro de candidatura. A principal desafiante agora é uma mulher. Portanto, para o líder de longa data da Bielorrússia, ela realmente não contava como uma ameaça.

Tensões entre Grécia e Turquia

BBC Mundo (24/07): “A disputa entre a Grécia e a Turquia pelas vastas jazidas de gás no Mediterrâneo Oriental” (em espanhol)

Grécia e Turquia são dois vizinhos mal correspondidos que se veem imersos numa escalada de tensões na disputa pelo acesso a hidrocarbonetos. Ainda mais depois que a Turquia anunciou nesta semana que planeja enviar o buque Oruc Reis para águas ao sul da ilha grega de Kastelorizo, que se encontra muito próximo da costa turca. O objetivo é realizar uma perícia sísmica, uma etapa prévia à exploração de hidrocarbonetos. Stelios Petsas, porta-voz do governo grego, respondeu afirmando que seu país “não aceitará a violação de sua soberania e fará tudo o que for necessário para defender seus direitos soberanos”.

Protestos contra Netanyahu em Israel

HAARETZ (24/07): “Polícia de Jerusalém entra em confronto com manifestantes em frente à casa de Netanyahu; 55 são presos (em inglês)

A polícia prendeu 55 manifestantes na noite de quinta-feira, quando milhares de manifestantes antigovernamentais se reuniram em frente à residência oficial do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em Jerusalém, pedindo sua renúncia por suas acusações de corrupção e o que eles chamam de má gestão da crise do coronavírus e agressão à democracia.

Guerra na Líbia

PUBLICO (24/07): “Os acontecimentos diários tensionam o cenário bélico na Líbia” (em espanhol)

Conforme avançam os dias parece mais iminente a ampliação do campo de batalha na Líbia. Impulsionado por seus aliados, o Egito já está preparado para intervir militarmente no país vizinho. Caso os planos do presidente Abdel Fattah al Sisi prossigam, será inevitável um conflito armado com a Turquia que pode desestabilizar todo o Mediterrâneo oriental.

Crise política na Tunísia

THE WIRE (19/07): “Crise política da Tunísia e o que isso significa para a democracia nascente” (em inglês)

O governo da Tunísia entrou em colapso menos de cinco meses após sua formação, mergulhando a democracia norte-africana em uma crise apolítica, enquanto luta com problemas econômicos e atritos sociais agravados pela pandemia global.

Perseguição política no Zimbábue

THE GUARDIAN (20/07): “Jornalista proeminente do Zimbábue detido no mais recente sequestro de críticos do governo” (em inglês)

As autoridades do Zimbábue prenderam um jornalista de destaque conhecido por suas reportagens sobre a corrupção endêmica do país, o mais recente de uma série de seqüestros de críticos do governo. Hopewell Chin’ono foi retirado de sua casa em Harare na segunda-feira por oito “agentes de segurança do estado” que quebraram janelas para entrar e não deram nenhum mandado, disse seu advogado.

Reforma da previdência no México

REUTERS (22/07): “México anuncia projeto de reforma previdenciária, buscando elevar aposentadoria em 40%” (em português)

O governo mexicano apresentou nesta quarta-feira um projeto para reformar o sistema previdenciário, com o qual pretende aumentar em 40% o benefício que os trabalhadores receberão quando se aposentarem e reduzir as semanas de contribuição necessárias para obter a aposentadoria. A proposta, que deve ser aprovada pelo Congresso, busca que o valor recebido pelo funcionário seja “muito próximo” do último salário e define um aumento de contribuição das empresas, afirmou o secretário da Fazenda Arturo Herrera, anunciando o plano com o presidente Andrés Manuel López Obrador.

Derrotas legislativas de Piñera

EL DESCONCIERTO (23/07): “Câmara rechaça veto presidencial a lei que proíbe o corte de serviços básicos na pandemia” (em espanhol)

Com isso, a iniciativa passa ao Senado, onde deverá ser novamente ratificada. O fato se constitui além disso, como a segunda grande derrota política do governo na jornada, depois da aprovação na Câmara da lei que permite a retirada de 10% dos fundos das AFP.

DW (23/07): “Senado do Chile aprova retirada antecipada de fundo de pensões” (em espanhol)

O Senado do Chile aprovou de forma geral na noite de quarta-feira (22/07) a retirada de 10% dos montantes depositados nas Administradoras de Fundos de Pensões (AFP), notícia que foi celebrada por milhares de chilenos com cacerolazos na capital, Santiago, e em outras cidades do país. O projeto de lei permite a retirada antecipada de 10% dos fundos de pensões no Chile, para frente à crise econômica derivada da pandemia do coronavírus.

Adiamento das eleições na Bolívia

BBC (23/07): “Crise na Bolívia: país adia pela segunda vez suas eleições presidenciais por recrudescimento de pandemia” (em espanhol)

Nesta quinta-feira, o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE), determinou adiar pela segunda vez as eleições presidenciais. “Esta resolução é suficiente para o organismo eleitoral para fixar uma nova data”, assinalou Salvador Romero, presidente do TSE. A autoridade indicou que as eleições presidenciais bolivianas deverão ser em 18 de outubro, em vez de 6 de setembro, como estava disposto. Caso exista segundo turno, este será realizado em 29 de novembro.

Protestos no Peru

KAOS EN LA RED (24/07): “Trabalhadores marcham por perda de empregos” (em espanhol)

Integrantes dos diferentes sindicatos de trabalhadores marcharam para mostrar seu inconformista com as medidas tomadas pelo governo de Martín Vizcarra durante o levantamento do estado de emergência sanitária que provocaram a perda de 55% dos postos de trabalho da população emprega de Peru, ou seja, 2 milhões e 700 mil peruanos ficaram sem trabalho durante a quarentena.

RPP (22/07): “Cusco: Moradores de Espinar se enfrentam com a polícia durante contra empresa mineradora” (em espanhol)

Mais de mil manifestantes bloqueiam as vias de ingresso à província. Além disso, outro numeroso grupo tentou ingressar nas instalações da empresa mineradora Antapaccay, onde se registrou os atos de violência. Vários blocos de grama foram queimados.

Risco de proscrição eleitoral do correísmo no Equador

PAGINA 12 (22/07): “Lawfare eleitoral no Equador, por Dolores Gandulfo (em espanhol)

O governo do presidente Lenin Moreno se debilita cada vez mais. Sua atual gestão é reprovada por mais de 85% do povo equatoriano. Nestes 3 anos de governo, Moreno encabeçou uma perseguição política e judicial aos dirigentes do movimento de Rafael Correa. Com as próximas eleições de fevereiro se aproximando, a perseguição se agudiza, materializando-se na proscrição do partido e pressionando os magistrados do CNE.

Protestos estudantis na Tailândia

CNN (24/07): “Movimento de protesto na Tailândia coloca jovens do país em rota de colisão com establishment apoiado pelo Exército” (em inglês)

O movimento estudantil da Tailândia reacendeu, já que jovens de todo o país desafiam as ameaças do governo apoiado pelos militares a sair às ruas e pedir a renúncia do primeiro-ministro Prayut Chan-o-cha. Na maior manifestação desde o início da pandemia, cerca de 3.000 pessoas se reuniram no Monumento à Democracia de Bangcoc no sábado, segundo os organizadores. Eles pediram a dissolução do parlamento, a reescrita da constituição e que as autoridades parassem de intimidar os ativistas.

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