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Fonte: Boletim Oficial do Movimento Novo Peru | Julho de 2020 | Tradução: Charles Rosa

Em suas primeiras declarações aos meios de imprensa, o novo primeiro-ministro ficou bem à vontade, indo além do próprio presidente e mostrando, desde o início, que ele é quem toma as rédeas do governo, em um momento em que Martin Vizcarra está começando a se esgotar, como um produto da fracassada estratégia para enfrentar a pandemia e o ressurgimento de novos confrontos com o Congresso, cujos principais componentes estão determinados a ganhar pontos com vistas a 2021. Assim, Pedro Cateriano faz o mesmo que fez com Humala quando a tela estava no limite, servir como salva-vidas e gerenciar a última parcela do governo exausto.

Mais de 100 dias de quarentena não impediram a mortalidade que está abalando o país. Ninguém pede que, nesse tempo, conserte males que vêm de 100 anos, como afirma o presidente. O que é exigido dele é que ele responda por suas medidas nesses meses e de como ele investiu o dinheiro destinado à emergência. Por que ele não deu o Bônus Universal, por que ele se recusa a conceder uma Renda Básica, por que ele não colocou clínicas privadas sob administração pública e, portanto, uma série de perguntas específicas entre as quais buscam explicações à falta de planejamento, à indolência diante das demandas de oxigênio, medicamentos e EPIs para o pessoa na linha de frente. A respostá muito simples, optou por seguir atado a um modelo onde segue imperando a vontade das grandes empresas com as quais, teve certas escaramuças mas onde sempre estas terminaram por se impor. Até que se deram o luxo de ameaçar Vizcarra desde a CONFIEP, anunciando um dilúvio de calamidades, caso ousasse tocar na sacrossanta propriedade das clínicas, apesar de que há brechas legais que o permitem num estado de emergência da saúde. Esse foi o ponto de ruptura do governo. Ante um empresariado exigente, um Congresso fragmentado, optou por repartir o poder com a CONFIEP e Southern. Seus novos ministros são sob medida para essa classe angustiante e inumana.

Aí temos as primeiras palavras de Cateriano em favor de um relançamento econômico, que permita uma maior aproximação com a empresa privada, “mais diálogo” entre eles evidentemente, e sobretudo “destravar os projetos mineiros” como Conga e Tía Maria entre outros. Sustenta que “a iniciativa privada é a geradora de riqueza e a pobreza somente será revertida com mais riqueza”, quando em 30 anos que se nos vendo essa receita, o resultado salta à vista, bastando olhar para os arredores de Lima ou para os bairros centrais como La Victoria ou El Augustino.

Dizem que somos um país mineiro como se não fosse legítimo aspirar a ser um país industrial, como se não tivéssemos agricultura que demanda atenção prioritárias, como se devêssemos nos resignar para sempre a vender nossas riquezas e comprar produtos que outros países fabricam com nossas matérias primas. Dizem que seria absurdo manter esses mineiras debaixo da terra, que seria bom tomá-los para que a gente tenha água e moradia, quando não se preocuparam com isso em décadas. É caraterística deles o CINISMO da pior espécie.

A recessão em curso e o plano Reativa Peru, é como um coquetel explosivo. Aponta contra os trabalhadores e o povo. O que nos resta? Preparar a resposta popular e cidadã. Nas ruas e nas urnas porque iremos ter eleições em breve e necessitamos forjar um bloco nacional antinacional e constituinte. Unir vontades é a urgência para essas tarefas que são as mais imperiosas do momento político.

Tito Prado é da Comissão Política do Novo Peru.

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