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                O relaxamento das medidas de isolamento social na Europa e na América do Norte se combinaram com as férias de verão no hemisfério norte e abriram algumas semanas de intervalo nas grandes mobilizações internacionais ocorridas recentemente. Entretanto, esta pausa não significa a interrupção dos processos nacionais de resistência nem a paralisação de processos globais de articulação. Nos países do Sul – profundamente afetados pela pandemia e distantes de uma saída à vista para a crise sanitária – este relaxamento também acontece, porém devido às pressões de grupos políticos e empresariais para a retomada da atividade econômica.

                O Brasil é um dos exemplos mais gritantes disso, com grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro implantando protocolos de abertura mesmo com uma média nacional de mais de mil mortos por dia. A extrema-direita no poder apela para discursos contábeis falaciosos e para o enorme desgaste humano provocado pelos meses de quarentena, empurrando o país para uma retomada do ritmo das ruas que coloca o conjunto da população em risco, um risco sempre maior para a classe trabalhadora e suas parcelas mais vulneráveis.

                Ricardo Salles, o ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, comanda uma política declarada de destruição dos biomas do país, incentivando o extrativismo predatório das indústrias da soja, da madeira, da mineração, do gado e de tantas outras, ao mesmo tempo que desmonta órgãos de fiscalização como o IBAMA e opera incansavelmente para desregulamentar as normas legais de proteção ambiental. A pressão externa contra esta política foi muito importante desde o começo do governo, na defesa da própria manutenção do Ministério do Meio Ambiente, sendo uma retaguarda para aqueles e aquelas que lutam por seus territórios.

                Nesta situação difícil, vemos também iniciativas de esperança. A Conferência Ecossocialista por Justiça Climática, o processo da Assembleia Sindical Global, as diversas atividades recentes realizadas pela IV Internacional e por outras organizações socialistas internacionais, entre outras iniciativas, surgem como espaços de diálogo e construção de respostas concretas para os desafios mundiais de hoje.

                E, nesse sentido, vivenciamos no último fim de semana (18 e 19 de julho) a Assembleia Mundial pela Amazônia. Um espaço amplo e diverso, construído através do protagonismo dos povos amazônidas dos diversos países e multiplicado por uma grande rede internacional de apoiadores, a Assembleia representou um marco inicial para uma grande jornada de lutas que se desenvolverá nos próximos meses e culminará nas mobilizações contra a mudança climática no mês de setembro.

                A Assembleia reuniu as principais organizações e entidades ligadas à defesa da Amazônia, se construindo a partir de três eixos: a defesa da vida das comunidades indígenas no contexto da Covid 19, o desenvolvimento de campanhas de boicote contra empresas ligadas a atividades predatórias na região e a mobilização de cada vez mais atores, ativistas e movimentos em sua jornada de lutas. A partir de uma perspectiva de construção em espiral, sempre se expandindo e sempre voltando aos territórios, a Assembleia representou um passo adiante na construção de um importante movimento internacional.

                Agora é o momento de nos envolvermos cada vez mais. A Assembleia definiu espaços orgânicos de construção em seus três eixos, abrindo também uma série de possibilidades de colaboração nas áreas da comunicação, tradução, produção de materiais, entre tantas outras. É uma iniciativa aberta a todos e todas, dentro ou fora do bioma amazônico, para multiplicar uma corrente em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras, em defesa da vida.  

                Essa é a hora! Amazoniza-te!  

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