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Em uma atividade de organizações que constroem a IV Internacional no Brasil, (Insurgencia, Comuna, MÊS, Subverta) Keon Liberato, dirigente sindical ferroviário nos EUA e integrante da tendência Bread and Roses do Democratic Socialists of America (DSA), abordou a relação do racismo com o movimento sindical. Eu tive a sorte de ser moderadora pelo mias atividade na Rede Emancipa e no MÊS.

Para nos, militantes negros e negras foi um espaço para encontrar os caminhos para a construção de uma luta antirracista proletária e internacionalista no Brasil. Foi como uma aula de um dirigente operário negro e marxista que dirige os ferroviários de Filadelfia. Uma lição desde o pais que é o coração da exploração capitalista. Vae a pena ver o vídeo que se encontra na página web do Observatorio Internacional da Fundação Lauro Campos-Marielle Franco.

Pouco mais de um mês após a onda de protestos que irrompeu com o assassinato de George Floyd, em Minneapolis (EUA), o fim ou, ao menos, a mudança da Polícia emerge como uma das principais pautas do que já pode ser denominado de um levante negro internacional.

Na fala, ficou com clareza a similaridade das demandas populares nos EUA e no Brasil revela as chagas sociais de um histórico escravagista compartilhado. Em ambos os países, o racismo e o capitalismo operam de modo indissociável, produzindo cidadãos de segunda classe, corpos que podem morrer na execução da necropolítica, seja pelas mãos do Estado punitivista, responsável pelo encarceramento em massa da população preta, ou pela negação de direitos, como saneamento básico e moradia, na letal faceta do racismo ambiental.

Keon mostrou que os afro-americanos é aquele mais exposto aos riscos de contaminação pela COVID-19 e com menos acesso ao sistema de saúde, que nos EUA não é fornecido gratuitamente. Também como esta agudiza o perfil da desigualdade social e racial brasileira e estadunidense, evidenciando que é negra a maioria dos trabalhadores essenciais, grande parte superexplorada e/ou em subempregos.

Aqui no Brasil o povo, ainda por detrás da rebelião negra nos EEUU resiste. Não entanto, a recente paralisação dos entregadores de aplicativos no Brasil confirma que a classe superexplorada tem cor e ânimo organizativo, realizando um verdadeiro levante do precariado em plena pandemia.

Como acertadamente foi destacado por Keon, a raça sempre foi um elemento utilizado pelo capitalismo para organizar a sociedade, a classe trabalhadora e reforçar/aprimorar a exploração em variadas medidas. E a conjuntura internacional confirma que a luta antirracista é inegavelmente proletária. 

Ele explicou como é necessário encarar e superar o racismo ainda dentro da classe trabalhadora, em especial nas organizações sindicais, para construir uma luta fundamentalmente antirracista, socialista e internacionalista, e mostrou como esta nova rebelião negra tem co9ntado com um importante setor dos trabalhadores brancos e do apoio feito para o movimento do Black Live Matter.

Keon Liberato falou da verdadeira resistência no movimento sindical à abordagem do racismo como elemento estruturante da sociedade, sublinhando a urgência da superação de um histórico racista e a necessidade dos sindicatos incorporar a luta antirracista.

Para tanto, o dirigente estadunidense apontou a necessidade de remodelação da luta proletária, de modo que seja aproveitado o potencial de organização dos sindicatos para além do âmbito interno. Portanto, é de fundamental importância a aproximação da luta sindical das demandas cotidianas dos trabalhadores, estabelecendo relações a longo prazo e formando lideranças nas comunidades negras.

Ainda nas palavras de Keon, a luta antirracista e socialista são convergentes e precisam caminhar juntas. Contudo, deve-se compreender como tarefa primeira da luta antirracista a construção e apoio a lideranças negras na luta socialista.

Liberato falou também da atuação da Rede Emancipa do Brasil como exemplo bem-sucedido desse desafio e afirmou que a luta internacionalista exige conexões entre trabalhadores do mundo partindo da compreensão da condição de massa proletária negra e superexplorada.

Nayana Menezes é coordenadora da Rede Emancipa do Rio de Janeiro.

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