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FONTE: El Diario | 02/08/2020 | TRADUÇÃO: Charles Rosa

Segundo capítulo da série ‘Matria’, um ensaio fotográfico de Judith Prat sobre os direitos camponeses em quatro países diferentes.

São três da madrugada de um dia qualquer de agosto na cidade de El Paso. As ruas do centro são um enxame de jornaleiros, contratistas e capatazes. Em cada esquina grupos de trabalhadores esperam que os furgões ou ônibus dos ranchos os transladem às fazendas nas quais colherão pimenta durante toda a jornada. Lhes aguarda um longo dia de trabalho e duras condições laborais. Do ritmo apressado que consigam manter para encher os cestos e qualidade da colheita daquilo que vai neles dependerá seu salário, que flutua entre os 60 e os 100 dólares por dia.

O que resta de tempo de energia apenas é suficiente para voltar para casa, tomar banho, jantar e dormir para poder se levantar novamente às 2 da manhã.

Este fenômeno de migrações e deslocamentos dos trabalhadores do campo não é exclusivo da fronteira estadunidense. Existe um fluxo internacional de mão de obra que veio a se somar ao dos produtos e dos capitais.

A proteção dos direitos humanos destes trabalhadores, assim como um marco de trabalho legal que garanta condições laborais e salários dignos evidenciam o nível democrático do país receptor e sem dúvida favorecem a coesão social, já que contribuem para erradicar a desigualdade e a discriminação.

Os jornaleiros chegam ao campo ainda de noite e começam a trabalhar com lâmpadas nesta fazenda de La Unión, Nuevo México, às 5 da manhã. | Judith Prat
Jornaleira pegando pimenta california num rancho de Las Cruces, Nuevo México, às 9 da manhã. |  Judith Prat
Os jornaleiros recebem uma ficha por cada bacia esvaziada no trailer e a soma de todos eles será seu salário do dia. Neste rancho de Las Cruces (Nuevo México) se paga a bacia de pimenta california 90 centavos, às 14:00. | Judith Prat
Fila de trabalhadores junto a SUV do capataz para receber o salário do dia, às 14:30 h. | Judith Prat
Irma cruza a passagem fronteiriça Paso del Norte em direção à Ciudad Juárez ao terminar sua jornada de trabalho num rancho de Nuevo México. Tem a dupla nacionalidade e pode cruzar a fronteira diariamente, às 16 horas. | Judith Prat

Quando Irma chega a sua casa em Ciudad Juárez apenas tem tempo de tomar uma ducha e jantar com seu marido e seu filho antes de deitar-se pois no dia seguinte terá que se levantar às 2 da madrugada, às 18:00 h. | Judith Prat

Um grupo de jovens trabalhadores do campo compartilham apartamento no Paso. Nenhum deles tem regularizada sua situação nos EUA mas trabalham toda a temporada nos ranchos do Texas. | Judith Prat
Ao cair a tarde os jornaleiros que pernoitam no Centro de trabalhadores agrícolas fronteiriços de El Paso tiram seus colchões, mantas e sacos, e se deitam para descansar até a madrugada, às 20:00 h |Judith Prat

Judith Prat é uma fotojornalista espanhola.

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