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1. Foi uma vitória espetacular dos setores progressistas, das organizações de esquerda, dos movimentos feministas, anti-racistas, ambientalistas e da ciência;

2. Mais do que em Biden, o voto foi anti Trump. Uniu todos os setores atingidos de uma maneira ou de outra pelo governo de direita radical, fascista, xenófobo, machista, racista, homofóbico com nenhuma preocupação ambiental;

3. Biden é a expressão média dessa unidade multifacetada de descontentes. Atenderá algumas pautas destes setores: resposta científica a pandemia, imigrantes, saúde pública e retomará os avanços civilizatórios em relação as mulheres, negr@s e LGBTQI. Mas não significará uma posição distinta em relação a Política externa para América Latina. Temos que acompanhar atentamente a situação da Venezuela;

4. A derrota de Trump não significa o enterro da ultra direita no mundo. Não apenas pela votação importante que ele obteve – hoje o país se encontra dividido – mas essa política representa uma das alternativas a uma crise econômica de maiores proporções para a elite financista internacional e seus representantes nos países;

5. A crise econômica com já se expressava no ano passado, portanto anterior a pandemia, se viu profundamente agravada pelo advento da covid-19. O contexto de disputa hegemônica entre as duas potências, EUA e China completam um tabuleiro internacional bastante complexo;

6. Em geral gostamos muito das festas como a do Uruguai, Bolívia, Chile e agora nos EUA. Mas, por trás de cada festa há muito trabalho militante de partidos de esquerda, organizações, movimentos sociais. Nos EUA, por exemplo, foram milhares de marchas em todo o país, enfrentamento com a polícia e supremacistas brancos, mesmo com a pandemia. Movimento decisivo e também muito importante foi a campanha pelo voto. Do cadastramento de eleitores a garantia da votação nas eleições. Isso ficou evidente no agradecimento de Bernie Sanders a este trabalho militante.

7 A campanha de Bernie Sanders fortaleceu a esquerda do Partido Democrata. A tropa de milhares de jovens que percorreu o país por sua candidatura, elegeu importante bancada deste setor;

8. Se é fato que estas vitórias vão criando uma onda de rechaços aos governos de ultra direita, no entanto, elas não significam uma transferência direta deste fenômeno, que vai se expressar de maneira distinta em cada país. Refletindo a força das classes e setores sociais, do peso de suas elites, seus movimentos sociais, organizações de classe, estrutura, economia, história, tradição e cultura;

9. Além de tudo isso, os movimentos não ocorrem por acaso. São acúmulo de contradições não resolvidas. Para que tenhamos um resultado positivo temos que fazer o dever de casa em nosso país. Portanto, não adianta cruzar os braços e achar que agora como em um passe de mágica Bolsonaro vai cair. Teremos que analisar todos elementos de nossa realidade e trabalhar muito sobre ela para transformá-la.

10. Neste momento, por exemplo, em nosso país, significa nesta semana, votar nos setores e candidaturas mais consequentes na luta contra Bolsonaro e seu projeto. Os mais consequentes na luta pelo Socialismo. Não será escondendo nossas posições pela transformação da sociedade ou domesticando nosso programa, que garantiremos nossa vitória! A direita saiu do armário e para lá não retornará. Nós temos que mostrar que só os Socialista, temos propostas que atenda aos 99% da população, que somos a esquerda renovada e consequente, para derrotar Bolsonaro e a ultra direita!

Berna Menezes
Integrante da Executiva Nacional do PSOL

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