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A crise da saúde pública na cidade de Manaus, no coração da Amazônia brasileira, é a mais grave no país desde o início da pandemia do Covid-19 e uma das situações mais desesperadoras em todo planeta. A falta de oxigênio hospitalar tem levado pacientes à morte através do asfixiamento, e no momento que este texto é escrito não há estoques suficientes de oxigênio garantidos nem mesmo para bêbes recém-nascidos, comovendo e mobilizando apoio de outros estados.

Os relatos vindos da cidade são terríveis, com profissionais de saúde ventilando pacientes manualmente e tendo que escolher a destinação do oxigênio entre doentes graves. No Hospital Universitário Getúlio Vargas, uma médica fez um relato chocante sobre a situação: “Colegas perderam pacientes na UTI por causa da falta de oxigênio. Eles ainda tentaram ambuzar (ventilar manualmente), mas foi mesmo para tentar até o último recurso, porque é inviável manter isso por muito tempo. Cansa muito, tem que revezar os profissionais. Chamaram residentes para ajudar, revezar na ventilação manual. A vontade que dá é de chorar o tempo inteiro. Você vê o paciente morrendo na sua frente e não pode fazer nada. É como você se ver numa guerra e não ter armas para lutar”1.

O drama vivido em Manaus infelizmente não é uma surpresa para ninguém. A capital do imenso estado do Amazonas já havia sido uma das cidades mais impactadas no início da pandemia, vivendo o colapso do sistema de saúde de forma aguda. Situada no meio da floresta amazônica, Manaus encara dificuldades logísticas que exigem grande preparação e previsão de estoques em situações como esta. Já há relatos de comércio irregular de oxigênio vendido acima do preço para particulares, piorando uma situação onde literalmente o lucro imediato vale mais que a vida dos doentes.

O governo Bolsonaro tem responsabilidade direta sobre esta situação. Não somente pela falta de previsão e preparo técnico para lidar com esta situação, mas porque representa o principal divulgador de ideias negacionistas no país. No ínicio da pandemia, o novo coronavírus foi chamado de “gripezinha” pelo presidente, que continuou na contramão internacional criticando as medidas de isolamento social e colocando em dúvida a eficácia das vacinas (principalmente da Coronavac, que as agências sanitárias acabam de liberar). A proximidade com a postura do ex-presidente estadunidense Donald Trump é evidente é mais um exemplo de cópia feita por Bolsonaro das políticas absurdas de seu mentor internacional.

Sua posição sobre a importância da geração de lucro acima da necessidade das medidas de prevenção colocou Bolsonaro como um dos principais defensores do relaxamento de medidas de isolamento, acabando com o auxílio emergencial de pouco mais de US$ 100 e obrigando centenas de milhares de trabalhadores a voltarem às ruas.

O caso de Manaus é emblemático também porque semanas atrás houveram manifestações estimuladas pelos donos dos comércios locais pressionando o governo estadual a diminuir as regras de distanciamento social antes das festas de fim de ano. Estas ações, apoiadas pelo governo Bolsonaro, foram diretamente responsáveis pela crise vivida hoje na cidade na qual dois terços da população votaram no presidente nas últimas eleições.

Enquanto diversos países comemoram o início da vacinação contra a Covid 19, o Brasil chora seus mortes e ocupa a vergonhosa segunda posição no número total de mortos em todo planeta. E ainda que o país tenha o maior sistema de vacinação do mundo – fruto de um sistema público de saúde, o SUS – o presidente de extrema-direita e seu governo são os principais responsáveis por esta tragédia planejada. Somente derrubando Bolsonaro mudaremos esta situação.

1https://www.em.com.br/app/noticia/nacional/2021/01/14/interna_nacional,1229127/manaus-oxigenio-acaba-e-pacientes-morrem-asfixiados.shtml

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