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Via Europe Solidaire

Mais de 100 pessoas, incluindo crianças, perderam a vida no sábado, 27 de março, durante protestos pró-democracia na Birmânia, provocando novas condenações estrangeiras. Apesar distp o regime ainda tem aliados de peso

A repressão na Birmânia subiu um degrau no sábado 27 de março de 2020. De acordo com as Nações Unidas, 107 pessoas – incluindo sete crianças – foram mortas em uma nova rodada de protestos pró-democracia em todo o país. As reportagens da mídia local colocam o número de mortos em 114. Este é o maior número de mortos desde o golpe perpetrado pelo exército do país em 1 de fevereiro. Mais de 423 pessoas morreram no conflito desde então, de acordo com a Associação de Assistência aos Prisioneiros Políticos (AAPP), uma ONG local.

Neste sábado, as forças de segurança abriram fogo sobre os que manifestavam em resposta ao “Dia das Forças Armadas”. Este enorme desfile militar, organizado em frente ao chefe do Tatmadaw (exército birmanês), agora chefe da junta governante, General Min Aung Hlaing, pretende ser uma demonstração de poder na capital Naypyidaw. É também uma tentativa de legitimar o poder após semanas de contestação do golpe, especialmente entre os jovens, observa o jornal birmanês independente Frontier Myanmar.

“Aprendem com aqueles que morreram brutalmente… e não morram por nada”, disse o general na televisão estatal nos últimos dias.

A repressão continuou no domingo 28 de março, quando novos protestos aconteceram em várias cidades do país, com a junta abrindo fogo até mesmo em comícios em homenagem aos mortos do dia anterior ou perto de um hospital em Yangon (antiga Rangum), a capital econômica, de acordo com o site pró-oposição Myanmar-now.org.

Mais uma vez, a ONU condenou severamente a situação. A organização denunciou em um tweet uma “violência chocante“, assim como “prisões massivas“. Esta “violência torna o golpe ainda mais ilegítimo e agrava a culpa de seus líderes“, continuou o Alto Comissário na rede social. Um “terrível derramamento de sangue” para o embaixador americano na Birmânia Thomas Vajda, segundo o qual os birmaneses deixaram claro: “Eles não querem viver sob um regime militar“. A delegação da União Europeia na Birmânia evoca um “dia de terror e desonra“.

Também pela primeira vez, os chefes de estado maior de 12 países – Austrália, Canadá, Dinamarca, Alemanha, Grécia, Itália, Japão, Holanda, Nova Zelândia, Coréia do Sul, Estados Unidos e Reino Unido – emitiram uma declaração conjunta condenando “o uso da força até a morte de civis desarmados pelas forças militares e de segurança birmanesas”. Esta é a primeira condenação oficial referente à defesa dos direitos humanos para o Japão e Coréia do Sul, lembra o site Nikkei Asia, ambos países que têm laços estreitos com o regime militar de Mianmar.

Mas a junta ainda tem um forte apoio na Ásia: oito países (Rússia, China, Índia, Paquistão, Bangladesh, Vietnã, Laos e Tailândia) enviaram representantes ao desfile militar de sábado, disse o jornal japonês. O Ministro da Defesa russo, Alexander Fomin, que estava presente, foi até condecorado nesta ocasião pelo General Min Aung Hlaing, e seu país descrito como um “verdadeiro amigo”.

A General Min Aung Hlaing defendeu novamente o golpe, invocando irregularidades nas eleições de novembro, que foram ganhas pelo partido de Aung San Suu Kyi, e prometeu uma “transferência de responsabilidade do Estado” após as eleições.

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