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Desde que o Talibã tomou posse do Afeganistão em 15 de agosto, eles têm tentado mostrar um rosto moderado. Mas, a cada dia que passa, sua verdadeira natureza emerge.

O Talibã afirma ter mudado em seu ponto de vista em relação às mulheres – e especialistas e analistas ocidentais deram apoio a suas reivindicações – entretanto, desde o primeiro dia, ficou claro que nada havia mudado. E, mais uma vez, as mulheres serão suas primeiras vítimas.

Em resposta às repressões do Talibã, uma onda de protestos começou em muitas cidades.

A primeira manifestação de protesto das mulheres foi realizada em 1º de setembro, na cidade de Herat, seguida por Cabul, Mazar e Nimruz. Nenhuma organização ou partido político assumiu a responsabilidade por esses protestos, e as manifestantes tentam esconder sua identidade para evitar a retaliação do Talibã.

As manifestantes têm cartazes escritos à mão contra o Talibã e pela liberdade das mulheres. Um dos cartazes ficou viral, perguntando ao povo do Afeganistão: “Não tenha medo, estamos todos juntos!” E, no dia seguinte, outro grupo de manifestantes mudou ligeiramente o mesmo texto, desta vez dirigindo-se ao Talibã: “Tenham medo, porque estamos todos juntos!”

Uma dos manifestantes, que não quis revelar seu nome, disse: “Os direitos humanos e os direitos das mulheres foram violados pelo Talibã. Estamos aqui para expressar nossa objeção e levantar nossa voz”.

“Ninguém pode nos colocar na gaiola! Continuaremos com nossa luta e nunca ficaremos em silêncio”. Queremos estudar em qualquer campo, trabalhar em qualquer campo e fazer parte de movimentos políticos.

“Nenhum regime pode nos reprimir”.

O Talibã tomou o controle do Vale Panjshir em 6 de setembro, com o apoio de caças paquistaneses. Dois dias antes, Faiz Hameed, Diretor-Geral de Inteligência Inter-Serviços do Paquistão, fez uma súbita viagem a Cabul e causou tumulto entre os cidadãos afegãos por apoiar o Talibã e interferir nas questões internas do Afeganistão.

Milhares de mulheres manifestantes se reuniram em 7 de setembro em frente à embaixada paquistanesa em Cabul, entoando cânticos: “Paquistão, deixe o Afeganistão!”, “Paquistão volte para trás!”

Elas caminharam em direção ao palácio presidencial, onde a milícia Talibã tentou desembolsar as manifestantes, disparando armas no ar. Eles prenderam algumas dos manifestantes e jornalistas.

Entretanto, nada detém as mulheres e hoje o protesto continua.

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