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Via Revista Movimento

Estamos diante de um novo salto na construção de uma ferramenta revolucionária que aponte para um polo socialista no PSOL: concluímos um processo de aproximação orgânica, que resulta em nossa fusão e em novas sínteses que fortalecerão o MES e colocarão novos desafios no horizonte. A TLS acaba de votar, em sua conferência, a incorporação aos quadros políticos do MES. As bases programáticas que permitem essa nova relação estratégica são dadas por nossa luta em comum para afirmar o projeto estratégico de um polo revolucionário e marxista dentro do PSOL, que disputa a direção partidária visando ao enraizamento partidário e à busca por influência de massas para nossas posições.

Com um trabalho comum a partir de 2013, a TLS e o MES estreitaram laços nos últimos anos. Após um acúmulo de longo tempo – com a conformação de chapas e teses comuns para os últimos congressos partidários –, foram amadurecidas as condições para esse salto. Há cerca de dois anos, decidimos aceitar o desafio e dar o passo de construir uma aproximação orgânica. Nossa base programática comum expressou-se, por exemplo, na tese para o VII Congresso Partidário “PSOL Em Movimento”, onde expressamos uma compreensão comum acerca das tarefas e dos desafios atuais da situação brasileira e mundial, sobretudo o enfrentamento ao bolsonarismo e à extrema-direita. Reforçamos, assim, a ação na vida partidária e no movimento – como, por exemplo, a atividade da TLS e do MES na disputa do movimento de trabalhadores da educação básica, seja via CNTE, seja via a parceria com os companheiros do SEPE e em expansão.

A TLS originou-se da antiga ALS, grupo ligado aos setores da esquerda do PT nos anos 1990. A organização teve uma expressão inicial no ABC paulista e depois se expandiu nacionalmente por meio de sua atuação nos professores e em outros setores. Tornou-se uma das maiores correntes da Apeosp (o sindicato de professores da rede estadual de São Paulo), dirigindo inúmeras subsedes, e conquistou inserção nacional, com seu principal trabalho sendo o do SINPOL de Pernambuco, dirigido pelo companheiro Áureo Cisneros, líder dos policiais antifascistas, além de atuar em sete estados (Acre, Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí, Roraima e São Paulo), com força relevante no PSOL, marcada pelo dinamismo do camarada Leandro Recife, com presença destacada na Executiva Nacional do Partido.

A unificação que agora concretizamos é, para nós, um processo riquíssimo, que dá sequência a uma história de fusões e incorporações em curso na própria gênese do MES desde 1999. Nossa unificação aponta o fortalecimento de uma ferramenta socialista e revolucionária, que seguirá aberta a novas composições e experiências. A organização que resulta desse processo também nos força a dar um salto organizativo, que permita a incorporação de uma nova coluna de quadros e de novos setores de forma qualitativa. Após a unificação, a organização sindical de nossa corrente (que, no MES, desenvolvia-se até então pela bandeira da plataforma sindical anticapitalista “Mover”) agora se denomina Trabalhadoras e Trabalhadores na Luta Socialista (TLS), com uma nova localização. A equipe sindical nacional será responsável pelo êxito desse espaço.

Nossa militância está renovada para dar o combate por uma nova direção para o movimento de massas. Colocamos na ordem do dia a necessidade de enfrentar e derrotar Bolsonaro e a extrema-direita; vamos buscar a luta por construir maioria social e estimular todo tipo de enfrentamento ao bolsonarismo, especialmente, diante da crise em curso, a luta pelo impeachment, por vacina para todos e pelo retorno do auxílio emergencial.

Nossa base programática é internacionalista e se inspira na solidariedade e no aprendizado com os processos mais dinâmicos em curso de luta e de resistência dos povos, como vimos recentemente com os exemplos das manifestações do “Black Lives Matter” nos Estados Unidos, da luta das mulheres na Polônia e dos enfretamentos recentes na América Latina, como a derrota do golpe na Bolívia, a luta por uma nova constituinte no Chile e as novas expressões políticas e eleitorais no Peru e no Equador. Dentro da IV Internacional, seguiremos construindo uma saída anticapitalista e ecossocialista para as trabalhadoras, trabalhadores e povos de todo o mundo.

Reafirmamos o PSOL como projeto estratégico, dando centralidade às lutas sociais e colocando nossos tribunos a serviço de uma estratégia socialista e revolucionária. Seguimos a luta do conjunto das e dos trabalhadores, das mulheres, da negritude, das LGBTs, de quilombolas, indígenas, da juventude, nos bairros, na educação popular, e em todas nossas ferramentas e instâncias.

Hoje, portanto, é um dia histórico e a unidade revolucionária entre dois setores da esquerda socialista, em meio a um período de intensa fragmentação de setores da esquerda radical, não é apenas uma soma. Nossa unificação abre caminho para novas fusões e unificações com grupos socialistas de todo o Brasil, com os quais temos debatido e atuado. Celebramos esse momento brindando à unidade e esperançosos com nossa contribuição para derrotar Bolsonaro e ampliar a luta pela construção de uma alternativa socialista, tão necessária para nosso país.

Viva a luta das trabalhadoras e dos trabalhadores!

Viva o socialismo!

TLS e MES

31 de janeiro de 2021

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