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Via LSR – PSOL

EM HONG KONG desde que os protestos de massas contra o governo eclodiram em 2019, mais de dez mil pessoas foram presas. Mais de 600 foram condenados por delitos políticos, incluindo realizar “reuniões ilegais”, sendo que muitos foram condenados a penas de prisão de cinco anos ou mais. A ditadura chinesa (PCC) considera os manifestantes como “terroristas” e “agentes estrangeiros” e impôs uma nova lei de segurança nacional para esmagar o movimento, uma legislação que permite a prisão perpétua.

Hong Kong era antes a única região da China com alguns direitos democráticos limitados. Desde que a lei de segurança nacional foi imposta, a cidade se tornou na prática um estado policial. Além de aparentar firmeza no contexto do aprofundamento do conflito com os EUA e governos ocidentais, o ditador chinês Xi Jinping quer eliminar o “vírus” da democracia, que ele teme que se espalhe de Hong Kong para o conjunto da China.

Repressão em Hong Kong

  • Mais de cem ativistas já foram acusados de crimes graves sob a lei de segurança nacional.
  • Dizer “Pelo fim do regime de partido único” – uma palavra de ordem central do movimento democrático e das manifestações envolvendo milhões de pessoas – é agora passível de punição com prisão perpétua.
  • O 4 de junho, aniversário do massacre de Pequim de 1989 quando centenas foram massacrados pelo exército, é um tema proibido na China. A última vez que o 4 de junho foi rememorado foi na vigília com 180 mil pessoas participando em 2019. Em 2021, o evento foi banido pelo segundo ano consecutivo.
  • Os sindicatos de Hong Kong são alvos da repressão da China. O Sindicato dos Funcionários Públicos, com três mil membros, foi dissolvido em janeiro. Dois líderes sindicais, Carol Ng Man-yee da HKCTU e Winnie Yu Wai-ming da HAEA, foram acusados de subversão. 
  • O veterano ativista de esquerda pró-democracia ‘Cabeludo’ Leung Kwok-hung está entre os acusados sob a lei de segurança nacional. Ele já foi condenado a 18 meses de prisão por participar de uma “reunião ilegal” sob uma lei da era colonial britânica.

A REPRESSÃO NA CHINA é ainda pior. Os sindicatos são ilegais, com a exceção de um falso sindicato controlado pelo governo, a ACFTU, que nunca apoiou uma greve dos trabalhadores.

Os trabalhadores são frequentemente presos por organizar greves e protestos. Os líderes dos trabalhadores são acusados de serem “manipulados por forças estrangeiras”. As feministas também são atacadas como “antipatrióticas”.

Em 2018, na luta da empresa Jasic, dezenas de jovens de esquerda que se identificam como maoístas foram presos e torturados por organizarem a solidariedade com os trabalhadores da fábrica em greve. A ditadura do PCC ataca e prende comunistas e trabalhadores e não somente políticos liberais e ativistas pró-democracia como em Hong Kong.

Em Xinjiang, região onde vivem 12 milhões de muçulmanos Uigures, está ocorrendo uma repressão horrível em nome da luta contra o “terrorismo”. A ditadura chinesa apoiou a política do Ocidente de “Guerra ao Terror” pós-2001 e a utilizou para facilitar sua própria repressão contra os muçulmanos visando garantir seu controle sobre essa região tão rica em recursos naturais. Os Uigures são governados com leis racistas discriminatórias e campos de internação em massa.

Solidariedade Contra a Repressão na China e Hong Kong (SARCHK) é uma campanha internacional lançada pela Alternativa Socialista Internacional (ASI) e nossos camaradas na China, Hong Kong e Taiwan. Temos um histórico de luta pelos direitos democráticos e de apoio às lutas dos trabalhadores.

Nossa campanha expõe a realidade da ditadura chinesa – um regime que tem mais bilionários do que os EUA e um dos piores recordes mundiais em matéria de direitos dos trabalhadores. 

Os EUA, a União Europeia e outros governos ocidentais são hipócritas – eles e suas grandes corporações trabalharam de mãos dadas com a ditadura chinesa por muitos anos. Juntos eles sufocaram as denúncias de abusos dos direitos humanos e chegaram ao ponto de ajudar o estado policial da China a desenvolver algumas de suas mais avançadas tecnologias de vigilância. Sua única preocupação era lucrar ao máximo com a força de trabalho não sindicalizada da China e explorar o crescente mercado chinês. A nova Guerra Fria marca o fim desta relação íntima entre eles dando lugar à crescente hostilidade entre o capitalismo ocidental e o chinês.

A luta pela democracia – por direitos democráticos como a liberdade de expressão, liberdade de reunião, de organização em sindicatos e grupos políticos, de greve, eleições livres – estes direitos só foram conquistados através da luta de massas, especialmente a luta dos trabalhadores.

Direitos democráticos nunca foram simplesmente concedidos por um poder estabelecido. Também nunca foram obtidos por um governo estrangeiro ou pela “comunidade internacional”. Isto porque os verdadeiros direitos democráticos e a luta de massas necessária para conquistá-los representam uma séria ameaça ao sistema capitalista onde uma pequena minoria detém todo o poder real. 

É por isso que a campanha “Solidariedade Contra a Repressão na China e em Hong Kong” está construindo uma solidariedade ativa e pela base com a luta antiautoritária na China e em Hong Kong, e se opõe firmemente a estar ao lado ou apoiar qualquer governo capitalista. O movimento dos trabalhadores, os movimentos sociais de mulheres, da juventude e de todos os oprimidos, são as únicas forças que podem derrotar os regimes repressivos.

PARA APOIAR NOSSA campanha, discutir ações e obter informações sobre nossas atividades em seu país e localidade entre em contato hk.repression@gmail.com

DEMOCRACIA X DITADURA?

  • Os EUA dão ajuda militar a 73% das ditaduras do mundo
  • A Grã-Bretanha governou Hong Kong durante 156 anos e nunca realizou uma única eleição

O QUE DEFENDEMOS:

  • Não à lei de segurança nacional em Hong Kong.
  • Liberdade aos prisioneiros políticos em Hong Kong e em toda a China. Reconstruir e expandir a luta de massas por democracia.
  • Acabar com as detenções em massa, o trabalho forçado e a discriminação contra os Uigures e as minorias nacionais. Por um movimento multiétnico unificado contra a ditadura.
  • Por sindicatos independentes e pelo direito de greve. Organizar a solidariedade sindical com os trabalhadores na China e em Hong Kong.
  • Solidariedade internacional – não ao nacionalismo, ao imperialismo e à nova Guerra Fria.

Facebook: Solidarity Against Repression in China & Hong Kong
Instagram: solidarity.china.hongkong
Twitter: @SolidarityHKCN

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